
A carta
Tinha de ser uma carta de amor,
Mandara a ela num misto de saudade e dor,
Em seu interior a descoberta do amor arrependido e desejoso.
Quisera voltar atrás, pois, havia fugido da felicidade a dois.
Mas, a essência selada no envelope perdera-se no caminho...
Abatida pela solidão de um amor incompatível,
E, entregue ao sofrimento da desilusão,
Buscava respostas, refletia momentos,
Sorria de tristeza e chorava de alegrias.
Inconformada não encontrava razão, nem prazer.
Noutro lugar ele chorava,
Suas lágrimas eram de descoberta e almejavam perdão.
Aqui, lamentava ela a ausência do amado.
- Soluçavam...
Resolvera ele escrever a carta que acompanhava flores
e um belo cartão romântico anunciando sua volta.
Recebera ela um telefonema.
Do outro lado, uma voz suave engasgada na terceira pessoa
perguntava por Lia.
O cão dócil levanta as orelhas em atenção.
Um zumbido na janela anuncia os primeiros pingos de chuva.
A cortina esvoaçava.
A TV, em silêncio, anuncia um acidente na Rodovia.
Do outro lado as palavras pulsantes cravadas como um punhal, frias.
Um sussurro engasgado...
Um chão que se perde...
...Um nada.
Uma dor.
Um vazio.
...
- Vago!
- Eu Vago pela casa.
Tranco a janela,
Desligo a TV,
Apago as luzes,
Soa a campainha,
Não atendo,
Sou só e vago.
A campainha insiste,
Atendo,
Uma carta,
Um buquê,
Um cartão.
- Mas, tinha de ser uma carta de amor,
- Era a DOR.
Alexandre Pedro
SP – 25/11/2010
***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.