
Ele chega, abre a porta.
Todos se acotovelam para garantir um espaço.
Um tosse, o outro bufa feito cavalo,
Um esfrega o nariz porque está úmido,
Um fala ao celular,
Outro joga mini-game.
Duas conversam sobre a novela das oito.
Outras falam da filha do vizinho.
- Eita fogo!
Outros falam da eleição que acontecera ontem,
e nada vai acontecer.
Outros se entreolham com vontades,
Outros reclamam do atraso,
Até o maquinista reclama:
-Este trem não parte com as portas abertas!!!
Uns confundem com dark room e se roçam.
Uns com má intenção,
Outros sob a influência do mal.
Um abre a janela,
O outro fecha.
Um tenta ler um livro,
Em vão, as conversas vencem.
Um ouve seu ipod com o fone ao máximo volume,
Temos aí um futuro surdo.
Outro ouve seu ipod sem o fone e ao máximo volume,
Temos aí um presente retardado.
E eu, que só entrei neste trem
Para maquiavelizar a vida de outrem,
Me despeço, pois desço na próxima estação, Barra Funda.
Antes que alguém resolva me roçar a bunda.
Alexandre Pedro