Difícil é ser cabra na Etiópia.
É fácil ter a pele seca encostada poeticamente nas paredes das costas, comprimindo o parco estômago, oco.
Difícil é estar na pele da cabra ambiguamente comparada.
A pele turva, áspera tal qual o chão de rachuras do sertão que lasca tiras de sede.
A pele tensa em sua frouxidão ressequida. O âmago no olhar do abutre que circunda a quase vida ou, o que lhe fora e, agora só lhe resta a quase morte.
A única chama está no ventre; nem aos olhos lhe prostra o brilho, pois neles, refletem as sombras das asas do enigmático corvo.
Quantas vidas tem uma alma. Onde estão seus limites?
Um vulto se aproxima...da vida? ...da morte?
Alexandre Pedro
18/08/2011
Texto elaborado para participar de um seleção num projeto de livro da Maitê Proênça - É duro ser cabra na Etiópia - à convite do Professor Adilson Oliveira.