Seja bem vindo!!!
-Entre,
-Tire os sapatos,
-Sente-se e fique à vontade.
-vou pôr uma música.
-Aceita um café?
- Gosta de livros?
- escolha um e vá folheando,
-volto já, com o café.
Alexandre Pedro
e-mail: alexandre.eells@gmail.com

Pesquisar no Cárcere do Ser

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tatuagem



Tatuagem
Para G.M
Rabisquei teu nome no canhoto dos meus braços,
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santa Ceia



Santa Ceia

Apreciavam no prato o pedaço da morte.

Degustavam a alma sangrenta ausente no corpo.

Lambiam os lábios molhados de sangue.

Cheiravam o frescor da carniça.

Doze abutres famintos

para o dom de um Bastardo, pousavam.

Mantos vermelhos revelavam a traição, o pecado.

O sangue de lama negra das nações dos alienados,

escorria do vaso sagrado posto à mesa,

em formato vaginal.

In memoriam de Maria,

em alma

ausente.


Alexandre Pedro


revelar-se


...desvelar um segredo...
revelar - se.

Alexandre Pedro

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Carta

Ilustração: João Grando

A carta

Tinha de ser uma carta de amor,

Mandara a ela num misto de saudade e dor,


Em seu interior a descoberta do amor arrependido e desejoso.


Quisera voltar atrás, pois, havia fugido da felicidade a dois.

Mas, a essência selada no envelope perdera-se no caminho...


Abatida pela solidão de um amor incompatível,

E, entregue ao sofrimento da desilusão,

Buscava respostas, refletia momentos,

Sorria de tristeza e chorava de alegrias.


Inconformada não encontrava razão, nem prazer.


Noutro lugar ele chorava,

Suas lágrimas eram de descoberta e almejavam perdão.


Aqui, lamentava ela a ausência do amado.


- Soluçavam...


Resolvera ele escrever a carta que acompanhava flores

e um belo cartão romântico anunciando sua volta.


Recebera ela um telefonema.


Do outro lado, uma voz suave engasgada na terceira pessoa

perguntava por Lia.

?


O cão dócil levanta as orelhas em atenção.

Um zumbido na janela anuncia os primeiros pingos de chuva.

A cortina esvoaçava.

A TV, em silêncio, anuncia um acidente na Rodovia.

Do outro lado as palavras pulsantes cravadas como um punhal, frias.


Um sussurro engasgado...

Um chão que se perde...

...Um nada.

Uma dor.

Um vazio.

...

- Vago!

- Eu Vago pela casa.

Tranco a janela,

Desligo a TV,

Apago as luzes,

Soa a campainha,

Não atendo,

Sou só e vago.

A campainha insiste,

Atendo,

Uma carta,

Um buquê,

Um cartão.


- Mas, tinha de ser uma carta de amor,

- Era a DOR.


Alexandre Pedro

SP – 25/11/2010


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conceitos da Literatura

[...]"A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites."[...]

Mário Vargas Llosa

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Trate-me como páginas de um livro!



Trate-me como páginas de um livro
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
*Fotografia: Rodrigo Nogueira

O gigolô das palavras - Texto de Luís Fernando Veríssimo

O gigolô das palavras (Luis Fernando Veríssimo)

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

domingo, 12 de junho de 2011

Velhice




Velhice

...já posso sentir a lâmina de vento em minha face,

ardendo fria,

queimando-me os poros,

a alma;

lambendo o resquício de verão que havia,

e trazendo o inverno,

ainda quente,

que nasce por detrás dos montes gélidos.

É a nova estação desembarcando.

-Parada aos 34


Alexandre Pedro


Imagem: Sapato de Alexander McQueen

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.

http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842



quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

A menor mulher do Mundo - Sob outras visões


"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em 'entender'.
Viver ultrapassa todo sentimento".
Clarice Lispector


Fragmento pós leitura do conto "A menor mulher do mundo", de Clarice Lispector.

A menor mulher do mundo
mulher para ser vista de cima, aos teus pés
não admirada...
mas devorada
mulher das profundezas
comparada a um bicho,
uma escrava,
um brinquedo,
uma isca.
motivo de risos,
zombarias
em seu sorrir a incompreensão de não compreender-se,
ou ser compreendida.
em seu ventre o representar da Natureza Humana,
e o terror de ser representada por algo de 45 centímetros;
estampada nas páginas dos jornais;
toda ameaçadora e, pequena.
Calada.
aquela racinha de gente, sempre a recuar e a recuar.
ah, tão Pequena Flor! tão digna de ternura!
mas ela amava, amava por não saber amar, amava o seu modo de amar, tão desgraçadamente amava.
e porque amava, não sabia o quê amar.
Não se lamentará que, para tão curta vida, longo tenha sido o trabalho. Quem já não desejou um sentimento só para si?
Pois olhe, declarou logo uma velha fechando o jornal com decisão - pois olhe, eu só lhe digo uma coisa: Deus sabe o que faz.

Alexandre Pedro

* As frases em itálico foram extraídas do conto em referência - A menor mulher do Mundo - de Clarice Lispector.

O conto "A menor mulher do Mundo" foi publicado na primeira edição de Laços de Família - Clarice Lispector.
Editora Francisco Alves, 1960.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Coletivo


Ele chega, abre a porta.
Todos se acotovelam para garantir um espaço.
Um tosse, o outro bufa feito cavalo,
Um esfrega o nariz porque está úmido,
Um fala ao celular,
Outro joga mini-game.
Duas conversam sobre a novela das oito.
Outras falam da filha do vizinho.
- Eita fogo!
Outros falam da eleição que acontecera ontem,
e nada vai acontecer.
Outros se entreolham com vontades,
Outros reclamam do atraso,
Até o maquinista reclama:
-Este trem não parte com as portas abertas!!!
Uns confundem com dark room e se roçam.
Uns com má intenção,
Outros sob a influência do mal.
Um abre a janela,
O outro fecha.
Um tenta ler um livro,
Em vão, as conversas vencem.
Um ouve seu ipod com o fone ao máximo volume,
Temos aí um futuro surdo.
Outro ouve seu ipod sem o fone e ao máximo volume,
Temos aí um presente retardado.
E eu, que só entrei neste trem
Para maquiavelizar a vida de outrem,
Me despeço, pois desço na próxima estação, Barra Funda.
Antes que alguém resolva me roçar a bunda.


Alexandre Pedro

segunda-feira, 30 de maio de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

Aliterar-se

rasgar o verbo rasgado
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sarau Unip Vergueiro - Alexandre Pedro - A Partida

Sarau que aconteceu na Universidade Paulista - Unip - Vergueiro, 2011.

Evento muito bem organizado pelos coordenadores, professores e alunos do curso de Letras do Campus Vergueiro - São Paulo.
Uma forma de valorizar o conhecimento, a criação, o companheirismo, e a valorização do que estudamos. Do muito que lemos, do muito que nos é apresentado. E então, tivemos a chance de devolver aos nossos mestres, amigos, e a nos mesmos através da alegria com nossas poesias, nossas músicas, nossas vontades, nossos sonhos. Fazendo-nos(alunos-professores)acreditar que, o que estamos desenvolvendo juntos não está sendo em vão.
Somos uma geração sonhadora, temos ideais, temos fome do novo, deglutimos o velho, "ruminanos" o que nos é importante, e exalamos poesia...poesia da música, da imagem, da palavra, do conhecimento, da coragem...
Quero, com esta postagem, agradecer aos organizadores, em particular a aluna de Letras - Alessandra S. Cantero pelo companheirismo, pela dedicação e, pela recepção ao nosso grupo que estava representando o Campus de Alphaville.
O Sarau intitulado Fantasmagórico Universo foi um sucesso!!!
Algumas apresentações foram gravadas, e estão disponiveis no link abaixo.
Estou ansioso pelos próximos eventos desta galerinha tão entusiasmada e, tão capacitada. Nossos novos escritores, poetas, artistas...
Abraços, e mais uma vez, agradecido pelo convite à participação!
Alexandre Pedro

Link de alguns vídeos das apresentações do Sarau - Fantasmagórico Universo
http://www.youtube.com/user/Biricuticus?feature=mhee#p/a/u/1/5Uo77pZ4XiI

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Há Palavras


Há Palavras

Das palavras a que mais gosto é a palavra.
A palavra dentro e fora do dicionário,
A palavra isolada em seu vocabulário,
A palavra em seu radical e léxico,
A palavra Divina,
A palavra mal dita,
A palavra vulgar e obscena.

São só palavras.
Palavras e palavras.

Palavras de carinho,
Palavras de ódio,
Palavras gritadas em vitória.

São só palavras.
Palavras e palavras.

Há palavras sem palavras e
sem palavras não há palavras,
Mas há de haver uma palavra
que silencie as demais palavras
e faça valer o silêncio de uma só palavra.
A verdadeira palavra PALAVRA.

A palavra instrumento do poeta,
Que pensa dominá-la.
Palavras que em mim habitam,
E em minha boca se calam.

Se encontrardes a palavra
que silencie as demais palavras,
Entregue a mim, mas o faça em silêncio.
E o protegerei de toda ira das palavras.
Dou-te minha PALAVRA.

Alexandre Pedro
SP - 26.09.2010


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

sábado, 21 de maio de 2011

Fugindo à Poesia



Fugindo à Poesia:

...Eu vou tirar você de letra......*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
SP – 02/04/2011

Fotografia: Rodrigo Nogueira

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.

sábado, 14 de maio de 2011

S.M




S.M
Para Clarice Lispector

O limite era a dor.

Suas roupas espalhadas pela casa.
As chamas das velas prenuciavam a chama do corpo.
Derretiam-se.

Seus corpos suavam lânguidos em palpitações.
Suas peles ardiam de prazer,
Suas carnes tremiam.

Seus músculos enrijecidos pelo gozo.
Seu grito de dor fundia-se ao prazer.
A dor lhe caía num torpor agradável.

Gemiam com sofreguidão um prazer dolorido.
A dor estava no entreabrir das janelas,
Nos poros,
No trepidar dos olhos
exaustos e pedintes.
No cerrar dos pulsos
que apertam os lençóis.
Nas alianças de aço,
Nas correntes de ar metálico,
Nos lábios ainda molhados pela saliva do outro.
No estirar dos dedos já não mais tensos.
No sangue que escorre pela boca.
No grito abafado pelo silêncio do quarto de hotel barato.
Na máscara caída ao chão.
A dor era o limite do Eu, - doeu!
Não mais palpitações.
Nos lábios um esboço de sorriso e satisfação.
A dor era um limite já ultrapassado.
Além.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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domingo, 8 de maio de 2011

Em busca da luz


Em busca da luz

Minha voz ecoa no silêncio mórbido da noite escura.
Trevas amordaçam minha boca,
Como num áspero sonho sórdido,
Restos de seu sangue em minha roupa.

Corro por desconhecidas ruas,
Olhares me espreitam, me fuzilam.
A procura de saída, me trancam.
Roupas rasgadas, semi-nua.

Presa em vestes límpidas
e embebedadas em silêncio
Meu alívio são morfinas.

Em bosques silenciosos como se chegasse ao céu
encontro-me num torpor em fel.
Regrada pelo tempo e balas,
azuis, verdes, brancas, nenhuma de mel.

Animais em jaulas, cabelos raspados, veias feridas,
contrastam com a pureza prometida.

Em náuseas...
Uma mãe que não é mãe, uma filha...
Um vermelho que não escorre,
Um meu pertencer que não me sai.
Uma vida a gerar em mim.
Uma semente carregada por um pássaro do mal,
não plantada e sim, uma sentença fecundada.
Fruto de uma maldade que se eterniza em minha mente,
e, em meu corpo.

Náuseas explodem abruptamente em águas.
Uma dor.
Uma flor que nasce,
Uma estrela que brilha,
Uma nuvem que destapa o sol,
Uma vida.
Um choro,
Um sorriso,
Um afago,
Uma direção...
...uma memória cicatrizada, e para sempre lembrada no sorriso de uma criança.


Alexandre Pedro

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Banho de Sol


Banho de sol

A natureza fala comigo.
Invade-me pelos poros do corpo
Largado, solto na madeira rústica
que emana cheiros de pinho.
Exausto.
O sol que me arde, frio
Percorre-me a espinha
Transborda-me e me deixa vazio,
Rijo, intenso.
Em convulsão,
Depois fraco,
sonolento,
completo e,
cheio de vitalidade.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

DeScOnStRuÇãO


SENSACIONALISMO?
ENGANA-SE, É PRA NÃO ESQUECER MESMO!!!!!
ESSE OLHAR RASGADO CARREGA A NOSSA CULPA.

Desconstrução

Homem,
Pássaros, Flores,
Cárceres, Horrores,
Praias, Nuvens,
Esgotos, Ferrugens,
Bosques, Parques,
Torres, Famílias,
Postes, Cachorros, Latrinas,
Chuvas...

Alexandre Pedro


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sábado, 23 de abril de 2011

O Poeta e o Poema


O Poeta e o Poema

Quem expressa?
O poeta ou o poema?
O poeta expressa a palavra,
ou a palavra expressa o poeta?
O poeta sem palavras não se expressa.
A poesia tem pressa,
O tempo passa depressa,
As palavras o desprezam.

Rima, Ritmo e Métrica.

Qual sua melodia?
Qual sua dança?
Quais suas medidas?
Onde se escondem?
Voltem depressa e façam do poeta um personagem
que o engane e o manipule,
e o faça menino, um mamute.
Transborde-o.
Que só assim, um adulto sob pressão,
pode escrever algo que preste.

Alexandre Pedro


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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domingo, 17 de abril de 2011

Lamento


Lamento

Para G.M

Eu lamento teu lamento.
Sonho em nuvens tranquilas...
Eu assolo, desolo, isolo, dessoro, dissolvo...
Sonho com diálogos travados,
Discutimos poesia,
Sonho ser um verso do teu poema não escrito,
Quero ser uma página do teu livro.
Eu sonho a verdade irreal dos teus sonhos.
Literalmente sonho.
Eu escrevo o passado contando o futuro,
Tento te prender dentro de aspas,
mas você foge, e nos perdemos nelas.
Eu acordo mudo,
surdo,
sozinho,
E com sono.



***...um dia você vai ler em meus escritos as letras molhadas das suas iniciais.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Partida


A partida
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
Alexandre Pedro



***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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domingo, 10 de abril de 2011

Contos de Clarice Lispector Interpretados por Aracy Balabanian


Em minhas perambuladas descobri este material: Contos de Clarice Lispector interpretados por Aracy Balabanian.
De cara, fiquei curioso, pois admiro ambas. Mas ao ouvir, me apaixonei. É como um mergulho, assim como exigem as obras de Clarice, do leitor; um mergulho num mundo encantado, de nuvens mágicas, em caminhos que nos levam ao extase, devido a tão extraordinária sensibilidade.
Aracy interpreta Clarice com toda propriedade, e segurança. Mergulhando, sem medo e desejando se afogar no mundo de Clarice.
Particularmente, vejo uma Clarice na voz de Aracy. É como se houvesse, ainda no presente, a honra de ouvir a própria Clarice nos contando seu mais belos contos.
A entonação, a propriedade e segurança, o timbre de voz, a respiração de Aracy me causaram arrepios deliciosos ao ouvir Clarice.
E, o resultado é simplesmente fantástico!
Total profissionalismo, dedicação, e respeito pela literatura, e, por Clarice que é, com certeza, uma das maiores e mais respeitadas representante da Literatura Universal.
Baixem o cd e confiram. Link totalmente seguro!
Abraço,
Alexandre Pedro

CD 1
Felicidade Clandestina
Tentação
Restos de Carnaval
Uma Galinha
O Grande Passeio
Perdoando Deus

CD 2
Uma Esperança
Ele me Bebeu
Uma História de Tanto Amor
A Procura de Uma Dignidade
Macacos
A Repartição dos Pães


Textos: Clarice Lispector
Interpretação: Aracy Balabanian
Produção: Paulinho Lima
Distribuição: Luz Cidade Produções Artísticas, Fotográficas e Editoriais.



http://www.4shared.com/file/m8PJPYnI/Clarice_Lispector_-_Contosmp3.html

sábado, 2 de abril de 2011

Fertilidade Interrompida


Fertilidade Interrompida

Teu corpo frágil partido em dois.
A fertilidade interrompida num estalar
Da brancura e da pureza que emoldurava o sol.
A vida que lateja claramente,
Geme ardente em suores que alimentam o ser.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

Fragmentos


Pinto as cores do mundo num plano inclinado
do pensamento angustiado do meu Consciente.
Solto as palavras ao vento e estas misturam-se
formando a música que ouço consciente;
Mas estou em silêncio!
Quebro o silêncio lendo uma poesia
e a letra da poesia é a música que toca no meu consciente.
Quero gritar,
mas só atinjo aos murmúrios e lamentos guturais dos meus pensamentos.
Lanço-me ao vento para ser conjugado e este me sopra em pó,
em poeiras distraídas pelo universo.
E uma velha vestida em um negrume esvoaçante vestido velho me varre, me varre, me varrrrrrr...

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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terça-feira, 8 de março de 2011

Amar...


ama me à marra
amarra me e ama
me ama,
me amarra
amar, amar
e amarrar
desamar, desarmar, desamarrar,
amar amarrado ao Amor desamarrado,
desamor.
amor, amora,
amor a qualquer hora,
amarrado, enamorado
ou seja como flor.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Transitivo


Me vejo refletido na areia,
Sou sol.
Vem a chuva,
Sou assombro.
Na areia jaz minha imagem,
Sou onda.
Em águas rasas,
desesperado me encontro
às margens.
A onda se foi pra imensidão
deixando apenas grãos de areia.
Levando consigo tudo e nada,
deixando partículas de alguém
que em vida
fui.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Salvo-me de mim mesmo


Salvo-me de mim mesmo

Perco-me dentro de mim,
Como em rios,
meu sangue me leva por veias
que me despejam pela boca.
Não, não sou levado ao coração,
Posto que este, o sou.
Punido pelos meus desejos pecaminosos,
Me encolho num ato de arrependimento
e culpa.
A Deus, clamo.
E a cruz é meu castigo, e minha punição.
Mas não a quero, não sou capaz de encará-la.
Fúria,Angústia e Vergonha,
me absorvem e me batem na face,
A outra?
Jamais, posto que não a tenho.
Pois perdi na ilusão de Te encontrar,
Me perdi e junto comigo, minha face.
Represento a escória para teus filhos
que me chamam de irmão,
mas um vizinho padece ao chão,
-Bastardo!
A irmã do mal me acolhe,
-Aceito,
Gritos, Gargalhadas, Loucura,
Tão bela e contraditória!
Em posição fetal adormeço e
sonho que tudo é Realidade.
Salvo-me de mim mesmo,
dos meus desejos,
dos meus medos,
das minhas descrenças,
das minhas loucuras,
da minha singular-mente.

Alexandre Pedro
03,Out-2010.

Foto: Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Poeta e a Musa


O Poeta e a Musa

Envolto em plumagens escuras,
me aqueço
e sou levado às ranhuras de um afresco.

Tempo e espaço nos separam.
Quereria eu, fosse irreal,
Mas teus olhos guardam em segredo,
a matéria fúnebre que me é real.

Repousa suave sobre meu corpo.
Pairo sobre teus cabelos mórbidos.
Querendo tocar teu corpo,
Devaneio-me em sonhos sórdidos.

Criados em semelhança,
Só lhe faltara o ar.
Do barro me vestiram,
Do gesso lhe despiram,
A vida me sopraram,
E a ti, só lhe faltara o ato.

Vela pelo meu sono,
Vago por entre os vales inóspitos,
Inebriado em teus olhos pálidos,
Sou arrancado desse mundo cálido.

Em vida desejei,
Na morte encontrei,
Num frio e eterno ósculo nos despimos,
Em almas diáfanas nos fundimos.

Escravo do teu corpo
modelado em gesso
satisfaço minha boca
afogado nos teus beijos.

Alma em gesso.


Alexandre Pedro
29.09.2010

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Solidão


Solidão

...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
Alexandre Pedro



***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

sábado, 29 de janeiro de 2011

Rosas


Rosas

Dispo a rosa ,
Pétala por Pétala.

Tiro-lhe o galho,
Tiro-lhe as folhas,
Rasgo-lhe do caule,
Sangramos.
Dedico-lhe à mulher,
Sagrada.

Campo minado.

A rosa úmida
em gotículas
Salivadas.
A rosa crua
em sua genitália.

Pousa quente em minhas mãos,
Trêmula.
Num cálido perfume,
Gêmula.

Rompo-lhe o hímen,
mexo, rasgo,
esfrego, vibra,
cheiro, amasso,
pego, grita,
dedos, línguas,
pulsa, expulsa,
pele, repele,
espirra, goza,
néctar em mel.

Estirados num canteiro,
molhados e com cheiros
das Rosas, finalmente nua.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

4.5.7


São Paulo
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

Alexandre Pedro

*Fotografia de Rafael Matsunaga
Título: Fotografando São Paulo - 2007

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

sábado, 22 de janeiro de 2011

Esvair-se Transbordando


Das narinas nasceram ramagens que lhe percorriam o corpo frígido,
envolvendo-o completamente num casulo esverdeado e fétido.
Da boca vertiam vermes como se fossem alimentos, que dela se alimentavam.
Vermes talhavam seu belo rosto que beijado fora noutros dias tão brandos.
Nos olhos nenhuma vida,
Nenhuma luz.

Dos pulsos duas fendas verticais por onde expulsara-lhe a vida.
Nos ouvidos apenas o silêncio e o princípio de gemidos distantes a se aproximarem.
Em sua genitália nem mais a vivacidade da cordial jovialidade.
No peito um coração esvaído de toda vontade, angustiado e reduzido
entre o primeiro e o ultimo pulsar.
Na mão direita um bilhete interrompido por um adeus.
No chão um tapete de confetes colorindo e alegrando a cena.
Na esquerda, uma aliança pende da mão repousada nas paredes gélidas de uma banheira branca ensangüentada
e inundada de vida.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

domingo, 16 de janeiro de 2011

...no escuro.

...a noite não escurece.
...a noite não cai,
... e nem me cai,
...a noite não me desce.
...me derruba!
...a noite dói!
Alexandre Pedro

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"...eu e todos meus eus..."


Início de 2011.
Como prometido, venho partilhar meus textos com você, caro amigo leitor.
Muito lhe sou grato pela visita, mas te peço, encarecidamente, que deixe um comentário, positivo ou negativo, não importa...serão bem vindos.
Solte o verbo! E não se cale diante das minhas palavras pois, sem você, de nada valerão, não farão sentido algum.
Curso o 4º Semestre em Letras, e o ato de escrever me é novo. Sim, me considero um escritor, mas tenho apenas 5 meses.
Meu primeiro poema data se no mês de setembro de 2010, e em novembro participei de um Concurso de Produção de Textos na Universidade Paulista e fui premiado em três poemas.
Meus textos foram registrados na Biblioteca Nacional, e por isso demorei tanto pra divulgá-los, mas agora estou aqui, dividindo minhas palavras com você.
Obrigado pelo carinho,incentivo, e confiança!
Alexandre Pedro



O Poeta e o Poema

Quem expressa?
O poeta ou o poema?
O poeta expressa a palavra,
ou a palavra expressa o poeta?
O poeta sem palavras não se expressa.
A poesia tem pressa,
O tempo passa depressa,
As palavras o desprezam.

Rima, Ritmo e Métrica.

Qual sua melodia?
Qual sua dança?
Quais suas medidas?
Onde se escondem?
Voltem depressa e façam do poeta um personagem
que o engane e o manipule,
e o faça menino, um mamute.
Transborde-o.
Que só assim, um adulto sob pressão,
pode escrever algo que preste.

Alexandre Pedro


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

domingo, 2 de janeiro de 2011

Através dos bosques (curta- metragem) - Júlio Cortázar - Otávio Mendes

Curtametragem inspirado no conto "La continuidad de los parques" de Julio Cortazar.

Trabalho universitário de conclusão do 2º semestre de 2010 do curso de produção audiovisual.

Direção: Matheus Mardegan e Otávio Mendes


Continuidade dos Parques


Havia começado a ler o romance uns dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou a abri-lo quando regressava de trem à chácara; deixava interessar-se lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta ao caseiro e discutir com o mordomo uma questão de uns arrendamentos, voltou ao livro com a tranqüilidade do gabinete que dava para o parque dos carvalhos. Esticado na poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado com uma irritante possibilidade de intrusões, deixou que sua mão esquerda acariciasse uma e outra vez o veludo verde, e começou a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a ilusão romanesca ganhou-o quase imediatamente. Gozava do prazer quase perverso de ir descolando-se linha a linha daquilo que o rodeava, e de sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto encosto, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que mais além das janelas dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra a palavra, absorvido pela sórdida disjuntiva dos heróis, deixando-se ir até as imagens que se combinavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana da colina.

Antes entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, com a cara machucada pela chicotada de um galho. Admiravelmente ela fazia estalar o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não tinha vindo para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal se amornava contra seu peito e por baixo gritava a liberdade refugiada. Um diálogo desejante corria pelas páginas como riacho de serpentes e sentia-se que tudo estava decidido desde sempre. Até essas carícias que enredavam o corpo do amante como que querendo retê-lo e dissuadi-lo desenhavam abominavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada havia sido esquecido: álibis, acasos, possíveis erros. A partir dessa hora cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O duplo repasse, sem dó nem piedade, interrompia-se apenas para que uma mão acariciasse uma bochecha. Começava a anoitecer.

Já sem se olharem, atados rigidamente à tarefa que os esperava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao norte. Do caminho oposto, ele virou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu, por sua vez, apoiando-se nas árvores e nas cercas, até distinguir na bruma do crepúsculo a alameda que levava à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O mordomo não estaria a essa hora, e não estava. Subiu os três degraus da varanda e entrou. Do sangue galopando nos seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois um longo corredor, uma escada acarpetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e depois o punhal na mão, a luz das janelas, o alto encosto de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.
Júlio Cortázar ( 1914 - 1984 ).
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Neste conto Júlio começa narrando a perspectiva de um personagem (O Leitor) que narra a história de um romance infiel, em que o casal traça um plano para assassinar o marido, e eis que o personagem "amante", percorre o caminho descrito pela mulher "amante/esposa", e se depara com a cena inicial, onde o personagem que lê e narra a história ao leitor, é o próprio marido. E que está sentado na poltrona verde aveludada, lendo o romance à nós-leitores. Ou seja, o personagem se torna real; sai de dentro do livro para assasinar o Leitor-marido.
Por Alexandre Pedro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Charles Baudelaire - O Albatroz


Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.
Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!

O Poeta se compara ao próncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.


Poema extraido do livro Les fleurs du mal (As Flores do Mal),1857.
Livro o qual Baudelaire revela como sendo o livro que dá vazão a todo seu pensamento, todo seu coração, toda sua religião (travestida), todo seu ódio.

*Tradução de Ivan Junqueira

domingo, 19 de dezembro de 2010

Rosas - Alphonsus de Guimaraens


Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que Já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...

Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.

Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!

Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura ?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Louis Aragon - As Realidades


Era uma vez uma realidade
com as suas ovelhas de lã real
a filha do rei passou por ali
E as ovelhas baliam que linda ela está
a re a re a realidade
Na noite era uma vez
Uma realidade que sofria de insônia
Então chegava a madrinha fada
e realmente levava-a pela mão
a re a re a realidade

No trono havia uma vez
um velho rei que se aborrecia
e pela noite perdia o seu manto
e por rainha puseram-lhe ao lado
a re a re a realidade

CAUDA: dade dade a reali
dade dade a realidade
A real a real
idade idade dá a reali
ali
a re a realidade
era uma vez a REALIDADE.

Tradução de Roberto Schmitt-Prym
Louis Aragon (Paris, 1897 - 1982)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PENETRAÇÃO DO POEMA DAS SETE FACES


(A Carlos Drumond de Andrade)

Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas
Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos.

Elisa Lucinda

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Resenha - O Cheiro do Ralo




Para que se chegue ao desejado, faremos uma prévia sobre a vida do autor de “O CHEIRO DO RALO”, Lourenço Mutarelli, e assim entender um pouco sobre o romance, e poder discorrer sobre o livro e filme.
Mutarelli nasceu em São Paulo no mês de abril de 1967, logo após o golpe militar no País. Cursou a Faculdade de Belas Artes, queria ser artista plástico, mas sua vontade mesmo era pintar palavras. Trabalhou três anos com Mauricio de Sousa como cenarista e neste período criou o personagem “cãozinho sem pernas”.
Nesta sua trajetória produziu histórias em quadrinhos, durante toda a década de 80, e ele mesmo fez as distribuições, uma vez que as editoras estranhavam seus temas e não queriam arriscar com os projetos.
Seus primeiros experimentos são OVER-12, e SOLÚVEL (1988-1989), com uma tiragem mínima de 500 exemplares, que hoje estão espalhados nas mãos de fieis leitores.
Em 2002, lançou “O CHEIRO DO RALO” seguido de “ JESUS KID” de 2004, “O TEATRO DAS SOMBRAS” de 2007,“A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA” de 2008, “MIGUEL E OS DEMÔNIOS” de 2008, “O NATIMORTO” de 2009 e “NADA ME FALTARÁ” de 2010.
Nas páginas que seguem, falaremos sobre o livro “O Cheiro do Ralo”, e sobre sua adaptação para o cinema.



O CHEIRO DO RALO: O LIVRO

Caro Lourenço,
Esse aqui é só pra te dizer que curti pra caramba
“O Cheiro do Ralo”.Li com muito gosto, envolvido até o osso.
O livro tem um pique de gibi, mesmo sem ter os desenhos.
É engraçado isso...
Engraçado também a gente ir simpatizando e mesmo
torcendo pelo narrador, mesmo ele sendo meio detestável.
(...) Obrigado por me deixar ler antes mesmo da publicação.
Desculpe a demora em dar retorno,
isso se deve à minha desorganização crônica.
Na verdade li já faz algum tempo,

mas só agora parei pra te dizer o quanto apreciei”.


Um grande abraço do
Arnaldo Antunes


O livro conta o dia-a-dia de um homem de classe média que passa seus dias negociando bugigangas em seu escritório de antiquidades.
O banheiro de seu escritório tem um problema com um ralo hidráulico, e todos que adentram o espaço, o personagem se sente na necessidade de explicar-lhes a causa do mau cheiro, o que nos dá a impressão de que ele tem um pudor, uma certa vaidade, ainda.
Este personagem, anti herói, que propositalmente não tem nome no livro, apenas se parece com o cara do comercial da Bom Bril. Ele está em conflitos consigo mesmo por não saber se há um passo à frente; sem ao menos perceber que não sabe saber. A ausência do nome não está somente no protagonista, mas em todos os personagens, talvez para que encontremos neles, um auto-retrato da nossa sociedade.
O personagem principal tem uma noiva que aguarda ansiosamente pelo casamento, pois, “os convites estão na gráfica”, não se conforma com a atitude do futuro marido que resolvera de repente cancelar o casamento.
O livro é narrado em primeira pessoa, porem o narrador cede sua voz para dar fala a outros personagens. O livro vai discorrendo de cena em cena, e cada personagem; dos mais variados tipos de personalidade, entram na sala do protagonista na intenção de vender suas bugigangas.
Cada um desses personagens adentra o escritório e se depara com um cara frio, sarcástico, irônico e que se satisfaz ao ver o próximo implorando por seu dinheiro e humilhando-se.
O protagonista sem nome vive entre sua casa, o trabalho e uma precária lanchonete, onde fica fascinado por uma Bunda, sim uma Bunda, com letra maiúscula por que não se trata simplesmente de uma bunda, e sim de uma bunda personalidade criada por ele, através da bunda. Para o protagonista não interessa a cara da personagem, só a bunda.
Tal Bunda é da inocente garçonete que vive lendo “Revistas dos Astros” e se desmancha melindrosamente ao ganhar balas de framboesa.
Apaixonado pela Bunda, o personagem começa freqüentar a lanchonete, e tudo que acontece de ruim ele coloca a culpa o ralo. O que ocorre é que a comida servida na lanchonete é péssima, e ele chega a se perguntar, “se eu comer esta porcaria, o ralo vai feder mais”, ainda sim, ele prefere que o ralo feda.
As pausas e mudanças de cenas no livro são dadas por espaços entre um diálogo e outro, como se fossem quadrinhos retirados de gibis. Os diálogos são sempre iniciados pelo protagonista, ele quem dá as cartas, dele é a voz principal, ele controla a narrativa e cada desenlaçar dela. Ele entra, ele sai.
Não é possível analisar o tempo que transcorre a história, de repente uma semana, ou alguns dias, o que se deve pensar é no tempo psicológico, em que o protagonista vive uma busca em criar uma identidade social que fora perdida sem a ciência do mesmo.
E com isso o protagonista sem nome embarca numa paranóia de que o ralo é um portal para o inferno. Se sente vigiado, mas percebe que faz parte desse ralo, desse inferno, e quando resolve fechar o ralo devido ao mau, tudo começa dar errado, e ele se vê na necessidade de reabrir o ralo para poder respirar, como se sua essência estivesse no ralo.
Nessa tentativa de criar uma identidade e de preencher uma ausência, ele resolve, a partir de um dos negociantes que lhe vende um olho de vidro, e um outro que lhe vende uma perna, que irá reconstruir seu pai ausente. Seu pai Frankenstein.
Um pai que perdera antes mesmo de o ter. E constrói em sua mente a imagem de um pai. A figura masculina representa a sociedade machista, as mulheres são apenas objetos. Coisas.
Uma monotonia e solidão se instala na vida do protagonista, que sozinho está, e sozinho é. Vaga vazio entre sua casa, seu trabalho e a lanchonete.
Num descuido, acaba dizendo à Bunda que pagaria para tê-la, o que a ofende, pois a Bunda parece estar apaixonada por ele e diz que se entregaria gratuitamente. Esse fato não agrada o protagonista, pois para ele a Bunda só terá o valor se ele pagar por ela. “Coisificando-a”, como tudo a que ele se apropria.
Ofendida ela foge, e só aparece quando, sem dinheiro e desempregada, aceita a oferta de se mostrar a ele por dinheiro. Então, ele a abraça a moça, a Bunda, e chora. Chora da condição em que está, da condição em que o ser humano vive, da humilhação, de ser tão pouco.
Destampa o ralo e respira. Se vê no escuro do ralo, e se lembra de uma tela de Caravaggio, em que Narciso olha um lago, mas este ralo não tem reflexo, só o breu que é o seu “eu”.
O brilhante autor faz interferências durante todo o livro e nos remete a outros escritores e compositores em um texto todo entrecortado por citações, o que faz do livro O Cheiro do Ralo um livro para ser lido com cuidado e atenção.
A maneira como o escritor nos dá a narrativa nos faz ler de forma rápida e intensa, mas ao mesmo tempo, exige de nós cuidado, para nada escapar à sensibilidade.
Com um texto rico em todos os sentidos, precisamos de um olho mágico ou uma lupa para não deixar passar nenhum detalhe.

Ela entra, ela treme, ela veio trazer a ele sua única verdade, ela atira, ele sangra, se esvai.
Tudo prenuncia um fim. A narrativa se fecha e numa passagem da metalinguagem para o metafísico, o autor lamenta ao leitor por não ter escrito o livro “O cheiro do ralo“.



“Não há luz.
Era tudo mentira.
Desse lado ninguém espera por mim.
Ninguém me guia.
Pois o caminho não dá pra errar.
Caio.
O Caminho é a queda.
A queda me traga como um ralo.
(...)
Eu não quero ir.
Mas o abismo me engole.
Eu queria ficar”.

Lourenço Mutarelli.
O Cheiro do Ralo.





O CHEIRO DO RALO: O FILME


Sob direção de Heitor Dhalia, roteiro de Marçal Aquino, e estrelado por Selton Mello, que ao ler o romance ( num vôo ) se interessou imediatamente por um dos papeis, ligando para Lourenço Mutarelli e lhe sugerindo a realização de um longa.
Diferente do livro, o filme traz o protagonista de “O CHEIRO DO RALO”, com características mais aprofundadas. Agora o anti-herói tem nome, nome este que homenageia o autor, Lourenço Mutarelli, e que também está num dos papeis, o segurança. Mas as diferenças terminam assim que começam.
Narrado em primeira pessoa, com recorte entre as cenas, a história se passa em algum lugar da cidade de São Paulo, e são ordenadas pelo narrador, que permite a entrada de cada personagem em cena.
Ele entra. Ele sai.
A fotografia externa e interna foi feita a partir do uso de uma lente amarelada, em que o diretor opta para dar ar de envelhecido, encardido, desbotado. Assim como num poema a sensação através do formato.
A cidade é revelada vazia, com resíduos de uma sociedade à beira do caos, paredes pichadas, mendigos na calçada. Do lado de dentro, a mesma câmera amarelada mostra em particular a vida do protagonista, Lourenço, comerciante de compra e venda que passa os dias se satisfazendo em explorar e humilhar seus clientes; quanto maior a necessidade, maior a humilhação que Lourenço os submete.
A luta travada entre o protagonista e entre o ralo do seu banheiro, tende a explicitar a sociedade que vivemos, vendendo a preços baixos o que não tem valor, a dignidade. E pagando por bundas, num país de bundas.
A sensação do poder do dinheiro o leva por caminhos estreitos, que vão se afunilando até chegar em si próprio, e questionar-se se tudo o que tem é realmente seu, e até que ponto o dinheiro pode comprar, pois a ausência do pai nesta hora urge e ele tenta reconstruir a figura materna. Para assim ter uma história, a sua história.
As personagens são tipos, e cada um que chega para negociar perde parte de si, pois até de suas falas, seus sotaques, gírias, expressões, Lourenço se apropria.
- A vida é dura!
Tal tipificação começa na ausência de nomes. “A Drogada”, “A Noiva”, “O Segurança” , “A Bunda”, são nomes que o leitor-expectador tem que atribuir aos personagens, uma vez que estes não têm, e quem tem nome, no caso a garçonete, é impronunciável.
Até sua empregada doméstica que trabalha há 8 anos, quando pronunciado seu nome, ela o corrige dizendo que seu nome não é este, e sim aquele.
“A Drogada” tem papel fundamental no desfecho da narrativa, e é quem na verdade, consegue de algum modo fazer o anti-herói olhar para si mesmo, e se encontrar.
Mas ele não queria, e se arrasta até o ralo, para tentar resgatar o que lhe foi tirado, o seu “eu”.

- “E então, ninguém entra, ninguém sai”.

O longa participou de vários Festivais, levando os prêmios de melhor direção, melhor ator – Selton Mello, menção honrosa a todo elenco pela crítica, e muito bem elogiado pela crítica americana.
De certa forma, Mutarelli personifica em seus personagens, retratos da sociedade contemporânea: o trágico movido à decepções, fracassos e insegurança de um mundo ficcional todo desprovido de concepções ético-morais.
Por diversos ângulos de percepção da trama, e da mesma forma que o protagonista acaba por habituar-se e algumas vezes gostar do cheiro do ralo, o leitor também se habitua com seus modos mesquinhos, manipuladores e egoísta, e acaba por sentir o cheiro do ralo, e não pode dizer que não gosta. E você, gosta?

É um auto-retrato com essência da raça humana em questão.
Ficha técnica – O Cheiro do Ralo

Brasil, 2006 – 95 min
Diretor: Helio Dhalia
Roteiristas: Marçal Aquino e Heitor Dhalia
Produção Executiva: Matias Mariani, Marcelo Doria, Rodrigo Teixeira
Produção: Heitor Dhalia, Joana Mariani, Marcelo Doria, Matia Mariani, Rodrigo Teixeira.
Em associação com : Lula Franco, Patrick Siaretta, Selton Mello
Empresas Produtoras: Geração Conteúdo, Primo Filmes, Branca Filmes, Telelmage, Sentimental Filmes e Mundo Cane Filmes
Fotografia: José Roberto Eliezer, a.b.c.
Música: Apollo Nove
Elenco: Selton Mello, Paula Braun, Lourenço Mutarelli, Fabiana Gugli, Mario Schoemberger, Martha Meola, Flávio Bauraqui, Suzana Alves, entre outros.

Bibliografia - Lourenço Mutarelli

A Arte de Produzir Efeito Sem Causa (Companhia das Letras)
O Cheiro do Ralo (Devir Editora)
O Natimorto (DBA)
Jesus Kid (Devir Editora)
Miguel e os Demônios (Companhia das Letras)
Nada me Faltará (Companhia das Letras)
Quadrinhos:
A Caixa de Areia ou Eu era Dois em Meu Quintal
Transubstanciação
Sequelas
A Confluência da Forquilha
Mundo Pet
O Dobro de Cinco
O Rei do Ponto
A Soma de Tudo I
A Soma de Tudo II
Desgraçados
Over-12
Impublicáveis
Resignação
Solúvel

Esta resenha ( TIL ) foi solicitado pelo meu curso de Letras 3º Semestre - Unip Alphaville.
Sob Orientação Profª Janaína Arruda.
E grande ajuda da Leca, Alessandra Paulo. Quanta paciência, Anjo, obrigado!!! ( cheio de vírgulas ) rs.
Novembro - 2010.
Alexandre Pedro