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-Entre,-Tire os sapatos,-Sente-se e fique à vontade.-vou pôr uma música.-Aceita um café?- Gosta de livros?- escolha um e vá folheando,-volto já, com o café.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Prólogo para um monólogo

domingo, 22 de janeiro de 2012
Bondage
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Uns tragos

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Um lápso e algumas palavras dessacralizadas

Um lápso e algumas palavras
O relógio havia parado.
Percebi o som do seu último tiquetaquear, ainda em falso, suspenso no ar.
Então, o silêncio tornou-se ensurdecedor.
Das janelas, via-se a cidade invertida. Era como se crustáceos olhassem em espelhos
de areia.
Eis que sinto, na garganta, pegadas de algum inseto repugnante a mordiscar, com
sabor, minha jugular.
Hemorrágicamente começo a nadar no tapete do quarto, e percebo lesmas embaixo da cama. Aquele amontoado de línguas a se mover numa suruba lânguida e libidinosa. Sinto-me
atraído como se fossem sereias lascivas.
Tento fugir, procuro por aquilo de que sempre fugi, a Bíblia.
Esta se desfaz em minhas mãos como lembranças de uma primavera distante.
Me arrasto ao telefone pra pedir socorro, e nas minhas mãos tenho cartilagens de
orelhas que emitem sons de ondas quebrando na encosta.
Corro até a janela, e de dentro vejo valagumes orientando um sol apagado, perdido na
órbita.
Meus olhos lacrimejam um sorriso sem dentes.
Um vento traz uma placa letrada de motel e pendura-a no cume da igreja.
Um padre cacareja palavras demoníacas.
Um certo alívio me conforta, e me derruba ao chão, do trigésimo terceiro andar.
Meu crânio estilhaça no chão frio de mármore e meu cérebro emite suas últimas
cenas, como num espetáculo final, com suruba de línguas-lesmas numa catedral derretida pelo deus sol.
A brasa do cigarro queima-me o dedo, e em susto, derrubo a xícara de café que mancha
minhas palavras sagradas.
Das páginas de meus rabiscos, um padre letrado persigna os fieis sobre um pênis avolumado.
Então, o relógio volta a tiquetaquear.
Alexandre Pedro
sábado, 24 de dezembro de 2011
Estória de uma prima: Vera

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Bebi de tuas palavras,
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Homenagem ao poeta MANOEL DE BARROS, que completa hoje, 95 anos.

Distancias somavam a gente para menos.
Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele.
Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores.
Meu avô abastecia a solidão.
A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:
O dia está frondoso em borboletas.
No amanhecer o sol pôs glorias no meu olho.
O cinzento da tarde me empobrece. e o rio encosta as margens na minha voz.
Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar.
Eu queria que as garças me sonhassem.
Eu queria que as palavras me gorjeassem.
Então, comecei a fazer desenhos verbais de imagens.
Me dei bem.
Perdoem-me os leitores esta entrada mas vou copiar de mim alguns desenhos verbais que fiz para este livro.
Acho-os como os impossíveis verossímeis de nosso mestre Aristóteles.
Dou quatro exemplos:
1) É nos loucos que grassam luarais;
2)Eu queria crescer passarinho;
3) Sapo é um pedaço de chão que pula;
4) Poesia é a infância da língua.
Sei que meus desenhos verbais nada significam.
Nada.
Mas se o nada desaparecer a poesia acaba.
Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.
Manoel de Barros
Texto extraído da abertura do livro: Poesia Completa - Manoel de Barros, 2010
domingo, 4 de dezembro de 2011

Vão entre becos

Agradeço à visita e ao carinho. Alexandre Pedro
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Se ( Reflexo Condicional )
E, se as palavras regressassem?
E, se eu ousasse dizê-las?
E se um anjo caísse?
E, se eu levantasse?
E, se Augusto adoecesse?
E, se Drummond despertasse?
E, se...."
Alexandre Pedro
10-11-2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Caminho Suicida
Alexandre Pedro
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
O mundo precisa ler isso: Do livro "A Náusea", publicado em 1938, um ano antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial

"(...) no entanto a natureza vaga penetrou em sua cidade, infiltrou-se por todo lado, em suas casas, em seus escritórios, neles próprios. Não se mexe, mantém-se quieta, e eles estão bem dentro dela, respiram-na e não a vêem, imaginam que ela está lá fora, a vinte léguas da cidade. Mas eu vejo essa natureza, vejo –a...Sei que sua submissão é preguiça, que La não tem leis: o que acreditam ser sua constância...Ela tem apenas hábitos e pode mudá-los amanhã.
Se acontecesse alguma coisa? Se de repente ela começasse a palpitar? Então eles perceberiam que ela está presente ali e teriam a impressão de que seus corações iam se quebrar. Então de que lhes serviriam seus diques e suas muralhas e suas centrais elétricas e seus altos fornos e seus martelos-pilões? Isso pode acontecer a qualquer momento, talvez imediatamente: os presságios aí estão. Por exemplo, um pai de família, passeando, verá vir em sua direção, através da rua, um trapo vermelho como que empurrado pelo vento. E quando o trapo estiver bem perto dele, verá que é um pedaço de carne podre maculada de poeira, que se arrasta, saltitando, um pedaço de carne torturada que rola nos riachos, projetando, por espasmo, jatos de sangue. Ou então uma mãe olhará para a face de seu filho e lhe perguntará: “Que que você tem aí? É uma espinha?”, e verá a carne empolar um pouco, fender-se, entreabrir-se, e, no fundo da fenda, um terceiro olho, um olho risonho surgirá. Ou então sentirão suaves roçaduras por todo o corpo, como as carícias que nos rios os juncos fazem nos nadadores. E perceberão que suas roupas se transformaram em coisas vivas. Outro sentirá que há algo arranhando sua boca. E se aproximará de um espelho, abrirá a boca: e sua língua se terá tornado uma enorme centopéia viva, que baterá as pernas e lhe arranhará o céu da boca. Tentará cuspir, mas a centopéia será uma parte dele mesmo, e ele terá que arrancá-la com as mãos. E quantidades de coisas surgirão, para as quais será preciso encontrar novos nomes, o olho de pedra, o grande braço tricorne, o artelho-muleta, a aranha maxilar. E quem estiver dormindo em sua boa cama, em seu tranqüilo quarto quente, acordará inteiramente nu num chão azulado, numa floresta de pênis estrepitoso, vermelhos e brancos, erguidos para o céu como as chaminés de Joutexbouoville, com grandes testículos meios saídos da terra, peludos e bulbosos como cebolas. E pássaros esvoaçarão em torno desses pênis e os picarão com seus bicos e os farão sangrar. Escorrerá esperma desses ferimentos, lentamente, suavemente, esperma misturado com sangue, vítreo e morno, com pequenas bolhas. Ou então nada de tudo isso acontecerá, não ocorrerá nenhuma mudança apreciável, mas as pessoas, uma manhã, ao abrirem suas persianas, serão surpreendidas por uma espécie de sentido terrível, pesadamente pousado nas coisas e que parecerá estar à espera. Apenas isso: mas por pouco tempo que isso dure, haverá centenas de suicídios. Homens inteiramente sós, sós com suas horríveis monstruosidades, correrão pelas ruas, passarão pesadamente diante de mim, os olhos fixos, fugindo de seus males e trazendo-os consigo, a boca aberta, com sua língua-inseto batendo as asas. Então estourarei de rir, mesmo se meu corpo estiver coberto de nojentas crostas suspeitas, que se abrem flores de carne, violetas, em ranúnculos. Encostar-me-ei numa parede e gritar-lhes-ei ao passarem: “Que fizeram de suas ciência? Que fizeram de seu humanismo?” Não sentirei medo. Não será tudo isso a existência, variações sobre a existência? Todos esses olhos que devorarão lentamente um rosto certamente serão demais, mas não mais do que os dois primeiros. É da existência que sinto medo.”
Imagem: O Grito - Edvard Munch, 1893
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Luto pela Palavra
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Feliz Dia das crianças, molecada!

Lembranças
Este foi meu segundo poema e, dedico àqueles a quem a vida lhes deu um tropeço.
Andando pelas ruas à noite;
luzes acesas projetam sombras
nas calçadas de paralelepípedos.
Lembranças da infância:
Pedrinho passa a bola,
Chuta!!! Chuta!!!
Vem me driblar...
Olha o carro!!!
Crashhhhhhh
- Pedrinho tem a sombra menor
e mais cheia que a minha.
Alexandre Pedro
Setembro, 2010
domingo, 9 de outubro de 2011

Da Imagem: Alexander Kiselev, " A Morte de Jacinto".
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Fidelidade
No limiar das consequências vinham as dores num assombro quando a noite vinha.
Do portão de sua casa, chamava , gritava, chorava. Sabia que estava em casa. Luzes de velas sobre as mesas. Estaria acompanhada? Recebiam-no cheiros de flores.
Alexandre Pedro
28/09/2011
domingo, 25 de setembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Spa da Mente
Carregava ele, sua cabeça nos braços. Seu corpo encurvava, todo ele, em sua jornada. Os dias se tornavam pesados em sua total intensidade. Buscava abraçar os filhos ao chegar do trabalho, mas suas forças eram tão majestosamente exausta que caía ele na poltrona a observar a tv, sem força para ligá-la. A cabeça repousada, ao lado.
Com muito, muito esforço pegava o controle e com um leve tocar de dedos clicava fazendo arder em chamas aquele enorme tubo negro. Dava para se ouvir um chiado. Como se um mundo abrisse à sua frente. Seus dedos tensos mergulhavam nos botões duros do controle. Um fragmento do tempo falhara e, nesse átmo entrava ela, em cena.
O brilho da tela fazia com que sua companheira, a cabeça, despertasse e ficasse ali, de novo, vividamente a observar, com ar desprezível, seu companheiro. Ela lhe condenava os dias; um fardo árduo nos braços.
Agora ela o encarava; olhar desafiante; fitava-o como a demonstrar toda insignificância do seu ser mutilado. Suas forças esvaiam-se por toda.
Não se auto conhecia a priori pra duelar com sua companheira. Olhava-a, bastava e já se cansava.
Então, foi quando na parede da sala, em um quadro imenso que a enfeitava, num recorte da tela onde se podia ver uma cidade, onde se podia ver, também, uma casa, um jardim, e no jardim podia ver-se crianças, e cada uma delas, segurava em suas pequeninas mãos um pirulito, ele percebeu-se na vida. A vida estava naquele ser redondinho, amarelinho que, todo salivado, concentrava toda atenção daquela não mais criança. O mundo era sua vida, sua vida era sua casa. Sua casa era seu limite. Seu limite estava ali, na tv, no controle. Ele era o limite de si mesmo. Saboreava com dissabor a vida que lhe brilhava na tela. E a confusão estava feita em sua pesada cabeça. Foi quando, assustado, saltou engolindo a saliva. Foi a primeira vez que fizera duas coisas ao mesmo tempo e ainda, sem pensar. A personagem da tv havia deixado de contracenar e agora trocava palavras com ele. Palavras de saber que ele correspondia e sentia-se orgulhoso, astuto, obstinado, até viril se achava, por haver no mundo, alguém que lhe prostrasse a sua frente e sorrisse junto dele; para ele e pela primeira vez, com ele. E ela, a cabeça, começara a rir, rir, simplesmente, rir daquela cena ignorante, e sua insignificância se desfez. Seus braços já não podiam sentir o peso de sua cabeça. A consciência voltara para aquela caixinha cinzentinha com gavetinhas; ele deixara aquela sala; agora seu mundo estava pintado na tela: da tv. Ele voltara a ser criança. A moça na tela da tv era uma fada. A fada vento. E lhe entregara uma espada. A espada mente.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
É duro ser cabra na Etiópia - Autor: Silvana Rocha
É duro ser cabra na Etiópia - Silvana Rocha
Em meio ao nada
Pele seca, desidratada
Castigada
Cicatrizes pelo corpo
Dor, desilusão
Estômago vazio
Na boca só sinto o amargor...
Amargura dessa vida dura!
Sinto o tilintar das costelas
Ambulante carcaça velha!
Articulações rangendo
Sons que me acompanham
Nessa longa aventura.
Com esperança
Ainda caminho, mesmo que lentamente,
Sentindo o desconforto da terra árida.
Secura!
Pobreza pura...
O sol em brasa queima minha face...
Me deixa anestesiada...
Em estado de torpor.
Vejo minha sombra distorcida na terra seca
Pareço-me com o quê?
Não consigo raciocinar direito
Sinto um vazio no peito
Acidez!
Queimação sem fim
E parece que não tem jeito...
O jeito é caminhar...
E quem sabe nada encontrar.
Creio que há esperança
Um oásis talvez
Logo ali ou bem distante dali
Perdi a noção de espaço
De profundidade
Não enxergo direito
Mas o sol continua a arder na minha face.
O oásis? Claro, era miragem!
Continuo a jornada árdua
Tropeçando em pedras, pedregulhos, seixos
Galhos secos ferem meus pés calejados.
Um pássaro bem ali, no chão, morto...
Esturricado pela ação da natureza.
Frieza...
Continuo meu tormento indiferente.
Mas minha esperança de encher meu estômago
Queima tal qual o sol
Não desisto...
Já andei algumas milhas
Quero molhar minha boca
Cadê meu pingo d’água?
Água! Maravilha!
Uma zonzeira agora me abateu,
Tontura, vertigem,
Um mal súbito qualquer que me derrubará
Talvez a alguns metros daqui.
Acolá! Não sei...
Não sinto mais o sol.
Cabeça zonza, zumbido, zoeira
Moscas varejeiras ao redor.
Minha pele cada vez mais seca.
Diante de meus olhos cansados que já não enxergam direito
Devido à rude caminhada
Vejo com dificuldade mais uma carcaça de animal diante de mim.
Não...desta vez é uma criança.
Não me lembro mais de nada....
Silvana Rocha
Este texto foi elaborado para participar em uma seleção de autores diversos para o livro "É duro ser cabra na Etiópia" que será lançado por Maitê Proença, e, gentilmente cedido pela autora ( minha professora de Língua Inglesa do curso de Letras ) - Silvana Rocha
* Este texto tem seus direitos autorais; não podendo ser utilizado sem permissão do autor.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Instantes
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Para alguém aí. Lá do outro lado de cá.
Para G.M
...tanto de mim fora de mim,
num outro que não sou eu,
e, que tanto tenho de si em mim,
que dispersam todos meus EUS.
cravado, gravado, grafado
eu assim engasgado,
assim suave,
gaguejado e inexorável
no inexplicável
das minhas razões sem razões.
Como uma linha determinada a preencher um vazio
que envolve nossos corações e os transbordam num só Ser,
o Amor.
Alexandre Pedro
SP – 08/01/2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Tempo
Alexandre Pedro
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Um falso brilhante
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Do elo
Algumas vezes ela tenta vir. Vem vindo, vem vindo...
Nem sempre me toca.
Um dia, acredito, ela me toma por todo. E eu, vencido, me acalentarei no seu confortável marasmo.
Minuciosamente me fala aos ouvidos. Palavras de um eu que não é meu.
Ela fita-me os olhos, profundamente me venda. E eu, às cegas, tateio um quase suave sonho.
Acordo, e me busco. Me encontro mas, me ofusco no silêncio envolvente que...que me encrespa às paredes. Do quarto. Do meu estômago.
Uma quase maravilha me arrebata de um quase acordar, e volto a dormir. Então sonho.
Sonho de criança perdida chutando pedrinhas sem perceber estar perdida. Sem ao menos imaginar que outros a procuram.
Nuvens são como algodão doces. E, como!
Como por encanto.
Alexandre Pedro
23/08/2011
domingo, 21 de agosto de 2011
É duro ser cabra na Etiópia
Difícil é ser cabra na Etiópia.
É fácil ter a pele seca encostada poeticamente nas paredes das costas, comprimindo o parco estômago, oco.
Difícil é estar na pele da cabra ambiguamente comparada.
A pele turva, áspera tal qual o chão de rachuras do sertão que lasca tiras de sede.
A pele tensa em sua frouxidão ressequida. O âmago no olhar do abutre que circunda a quase vida ou, o que lhe fora e, agora só lhe resta a quase morte.
A única chama está no ventre; nem aos olhos lhe prostra o brilho, pois neles, refletem as sombras das asas do enigmático corvo.
Quantas vidas tem uma alma. Onde estão seus limites?
Um vulto se aproxima...da vida? ...da morte?
Alexandre Pedro
18/08/2011
Texto elaborado para participar de um seleção num projeto de livro da Maitê Proênça - É duro ser cabra na Etiópia - à convite do Professor Adilson Oliveira.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Engolindo sapos

acordei com a sensação de haver um sapo em minha cama. senti-lo mexendo em minhas pernas. era uma sensação estranha, mas estranha porque gostosa. um misto de medo, prazer, um pouquinho de pavor e muito calor. no começo tive certa repugnância mas bastou seu coaxar pra me curvar numa postura de adoração e súplica, completamente seduzido por aquele ser mole, aquele monte de qualquer coisa mole. a languidez da criatura me dilatava os poros, molhando de suor os lençóis da cama. sua respiração ofegante misturava-se a minha, resfolegava-mo-nos. esfregava afoito uma perna na outra na tentativa de um movimento seu. ele parecia só um corpo, morto. queria eu sentir seu pulsar, seu peito inflando pesado em minhas coxas. ele permanecia imóvel.
domingo, 31 de julho de 2011
Passo depressa pelas ruas desta cidade.
Às pressas passo, passo a passo, passo.
Ao meu lado os passos apressados
Atropelam-se e me atropelam.
Aonde vamos?
Nesta cidade tem espaço para cada passo,
Espaço aos fracos e aos fortes.
Aos ricos e aos pobres,
Aos decentes e aos devassos.
E seguimos no compasso dos passos apressados...
Alexandre Pedro
SP-09.2010
terça-feira, 19 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011

Astros
Era um amor impossível.
Aos desencontros.
Os astros não permitiam.
Entre eles havia Ela e seus anéis,
Sensual, encantadora.
O azul atraía o amarelo que traía a prata que atraía o amarelo.
Era um trair, atrair, que retraíam-se atrás do escuro universo.
A solidão era tamanha.
Então, do Céu caíra uma estrela,
Rasgando em sua face enorme cicatriz.
E a Lua, atordoada,
sorrira ao ver seu Amado ardendo nos braços da Outra.
E então, não veio a noite...
...e a Lua chorou ao ver a chama do amor inflamando a Terra.
Alexandre Pedro
Imagem: "Namoro com a Lua" de Ismael Nery
segunda-feira, 11 de julho de 2011

...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Transeunte

Transeunte
Para G.M
Vou, na sensação de deixar parte de mim,
Mas, se essa parte que em mim, sente, é a parte que deixei,
Como posso ter tal sensação, na parte que de mim partiu?
Diria Drummond: “A ausência é um estar em mim”.
E, dou me pela falta da ausência, que já não mais está em mim.
Eu não mais estou em mim.
Estou aqui, contigo!
Sou as palavras que nesse momento te prende.
Sou esse arrepio que sentiu.
Este olhar para os lados.
Estas palavras que, tão desgastadas pelo tempo, teimam ficar para contar minha perda.
E quem sabe te dar a resposta, se vivi a falta ou a própria ausência.
Eis a dúvida que minha presente vida, não respondeu.
Alexandre Pedro



