Seja bem vindo!!!
-Entre,
-Tire os sapatos,
-Sente-se e fique à vontade.
-vou pôr uma música.
-Aceita um café?
- Gosta de livros?
- escolha um e vá folheando,
-volto já, com o café.
Alexandre Pedro
e-mail: alexandre.eells@gmail.com

Pesquisar no Cárcere do Ser

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Se ( Reflexo Condicional )

‎"E se o vento cessasse?

E, se as palavras regressassem?

E, se eu ousasse dizê-las?

E se um anjo caísse?

E, se eu levantasse?

E, se Augusto adoecesse?

E, se Drummond despertasse?

E, se...."

Alexandre Pedro
10-11-2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caminho Suicida

Deitado sobre os trilhos:
dois caminhos que não se cruzam
mas que não são distintos.
Caminham lado a lado.
Num pólo a cabeça,
no outro os pés.
Vida e Morte.

Alexandre Pedro

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O mundo precisa ler isso: Do livro "A Náusea", publicado em 1938, um ano antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial


"(...) no entanto a natureza vaga penetrou em sua cidade, infiltrou-se por todo lado, em suas casas, em seus escritórios, neles próprios. Não se mexe, mantém-se quieta, e eles estão bem dentro dela, respiram-na e não a vêem, imaginam que ela está lá fora, a vinte léguas da cidade. Mas eu vejo essa natureza, vejo –a...Sei que sua submissão é preguiça, que La não tem leis: o que acreditam ser sua constância...Ela tem apenas hábitos e pode mudá-los amanhã.

Se acontecesse alguma coisa? Se de repente ela começasse a palpitar? Então eles perceberiam que ela está presente ali e teriam a impressão de que seus corações iam se quebrar. Então de que lhes serviriam seus diques e suas muralhas e suas centrais elétricas e seus altos fornos e seus martelos-pilões? Isso pode acontecer a qualquer momento, talvez imediatamente: os presságios aí estão. Por exemplo, um pai de família, passeando, verá vir em sua direção, através da rua, um trapo vermelho como que empurrado pelo vento. E quando o trapo estiver bem perto dele, verá que é um pedaço de carne podre maculada de poeira, que se arrasta, saltitando, um pedaço de carne torturada que rola nos riachos, projetando, por espasmo, jatos de sangue. Ou então uma mãe olhará para a face de seu filho e lhe perguntará: “Que que você tem aí? É uma espinha?”, e verá a carne empolar um pouco, fender-se, entreabrir-se, e, no fundo da fenda, um terceiro olho, um olho risonho surgirá. Ou então sentirão suaves roçaduras por todo o corpo, como as carícias que nos rios os juncos fazem nos nadadores. E perceberão que suas roupas se transformaram em coisas vivas. Outro sentirá que há algo arranhando sua boca. E se aproximará de um espelho, abrirá a boca: e sua língua se terá tornado uma enorme centopéia viva, que baterá as pernas e lhe arranhará o céu da boca. Tentará cuspir, mas a centopéia será uma parte dele mesmo, e ele terá que arrancá-la com as mãos. E quantidades de coisas surgirão, para as quais será preciso encontrar novos nomes, o olho de pedra, o grande braço tricorne, o artelho-muleta, a aranha maxilar. E quem estiver dormindo em sua boa cama, em seu tranqüilo quarto quente, acordará inteiramente nu num chão azulado, numa floresta de pênis estrepitoso, vermelhos e brancos, erguidos para o céu como as chaminés de Joutexbouoville, com grandes testículos meios saídos da terra, peludos e bulbosos como cebolas. E pássaros esvoaçarão em torno desses pênis e os picarão com seus bicos e os farão sangrar. Escorrerá esperma desses ferimentos, lentamente, suavemente, esperma misturado com sangue, vítreo e morno, com pequenas bolhas. Ou então nada de tudo isso acontecerá, não ocorrerá nenhuma mudança apreciável, mas as pessoas, uma manhã, ao abrirem suas persianas, serão surpreendidas por uma espécie de sentido terrível, pesadamente pousado nas coisas e que parecerá estar à espera. Apenas isso: mas por pouco tempo que isso dure, haverá centenas de suicídios. Homens inteiramente sós, sós com suas horríveis monstruosidades, correrão pelas ruas, passarão pesadamente diante de mim, os olhos fixos, fugindo de seus males e trazendo-os consigo, a boca aberta, com sua língua-inseto batendo as asas. Então estourarei de rir, mesmo se meu corpo estiver coberto de nojentas crostas suspeitas, que se abrem flores de carne, violetas, em ranúnculos. Encostar-me-ei numa parede e gritar-lhes-ei ao passarem: “Que fizeram de suas ciência? Que fizeram de seu humanismo?” Não sentirei medo. Não será tudo isso a existência, variações sobre a existência? Todos esses olhos que devorarão lentamente um rosto certamente serão demais, mas não mais do que os dois primeiros. É da existência que sinto medo.”


Imagem: O Grito - Edvard Munch, 1893

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Luto pela Palavra


Luto constante à Poesia
Luto pela Palavra
tento eximi-la de mim
e, ela me fala na lata:

Não estou em você,
Não estou pra você,
e você não está em mim.
Estou em quem me lê
e não em quem me escreve.


"Toda obra de arte traz em si o dever de ser inacabada."

Alexandre Pedro

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Da série “Inconstâncias”:

Réstias

Das janelas,
réstias de palavras sobre a mesa
Esta publicação foi removida devido a obra estar inserida no livro de estreia do autor, em breve pela Giostri Editora. Muito obrigado pelo carinho!
08/08/2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Feliz Dia das crianças, molecada!


Lembranças

Este foi meu segundo poema e, dedico àqueles a quem a vida lhes deu um tropeço.


Andando pelas ruas à noite;

luzes acesas projetam sombras

nas calçadas de paralelepípedos.


Lembranças da infância:

Pedrinho passa a bola,

Chuta!!! Chuta!!!

Vem me driblar...

Olha o carro!!!

Crashhhhhhh


- Pedrinho tem a sombra menor

e mais cheia que a minha.


Alexandre Pedro

Setembro, 2010



domingo, 9 de outubro de 2011

DISRITMIA

Já não vou rimar menina com menino;
vou rimar homem com barba...
quero a fruta na fruta;
a fruta da fruta, do fruto.
quero colhê-las no galho,
arrancá-las do talo.
quero trepar nas árvores
e cuspir as semen.tes e,
com as folhas,
encobrir minhas vergonhas.

Alexandre Pedro

Da Imagem: Alexander Kiselev, " A Morte de Jacinto".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fidelidade

Amava com sofreguidão. Mas se amava, amava com fidelidade a Maria?
No limiar das consequências vinham as dores num assombro quando a noite vinha.
Se refugiava em bebedeiras. Vinhos sortidos se misturavam quando Maria não vinha.
Surtiam efeitos no dia que se seguia, e seguia, e seguia.
Seguia?
Seguia cego, a garganta seca de saudade e ciúme. Aonde assombrava a Maria?
Assombrado saía às ruas; luzes dos postes acesas, lua cheia, rua vazia, vazio andava. Apenas meninas de saias curtas e batons vermelhos.
De esquina em esquina, um cigarro. De poste em poste, rosnava.
A secura da garganta já havia tomado o estômago.
Fome não sentia.
Sede nao percebia.
Amor? Ah, Maria!
Do portão de sua casa, chamava , gritava, chorava. Sabia que estava em casa. Luzes de velas sobre as mesas. Estaria acompanhada? Recebiam-no cheiros de flores.
Flores?
Mas quem havia, ali, as deixado?
O ciúmes o tomava o fôlego. Aquele cheiro lhe embrulhava o estômago, era cravo.
Do portão ele avistava uma cruz. Os braços abertos o chamavam para dentro. No ante braço esquerdo jurava amor eterno. E como homem fiel pulara aquela cerca. A cerca para o outro lado. E nunca mais sentimos nada. Nem ele, nem ela, nem eu.

Alexandre Pedro
28/09/2011

domingo, 25 de setembro de 2011


O tempo que te resta

Para G.M


Antes de algum sorriso,

Uma lágrima.

Para o bem de todo mal,

A solidão.

Uma flor no precipício,

Vermelha.

Antes do escuro,

Uma chama.

Antes do mergulho,

Alguém que ama.

A ausência se faz presente,

E, me traduz em você.

Alexandre Pedro

SP – 01/02/2011


domingo, 18 de setembro de 2011

Spa da Mente

Carregava ele, sua cabeça nos braços. Seu corpo encurvava, todo ele, em sua jornada. Os dias se tornavam pesados em sua total intensidade. Buscava abraçar os filhos ao chegar do trabalho, mas suas forças eram tão majestosamente exausta que caía ele na poltrona a observar a tv, sem força para ligá-la. A cabeça repousada, ao lado.
Com muito, muito esforço pegava o controle e com um leve tocar de dedos clicava fazendo arder em chamas aquele enorme tubo negro. Dava para se ouvir um chiado. Como se um mundo abrisse à sua frente. Seus dedos tensos mergulhavam nos botões duros do controle. Um fragmento do tempo falhara e, nesse átmo entrava ela, em cena.
O brilho da tela fazia com que sua companheira, a cabeça, despertasse e ficasse ali, de novo, vividamente a observar, com ar desprezível, seu companheiro. Ela lhe condenava os dias; um fardo árduo nos braços.
Agora ela o encarava; olhar desafiante; fitava-o como a demonstrar toda insignificância do seu ser mutilado. Suas forças esvaiam-se por toda.
Não se auto conhecia a priori pra duelar com sua companheira. Olhava-a, bastava e já se cansava.
Então, foi quando na parede da sala, em um quadro imenso que a enfeitava, num recorte da tela onde se podia ver uma cidade, onde se podia ver, também, uma casa, um jardim, e no jardim podia ver-se crianças, e cada uma delas, segurava em suas pequeninas mãos um pirulito, ele percebeu-se na vida. A vida estava naquele ser redondinho, amarelinho que, todo salivado, concentrava toda atenção daquela não mais criança. O mundo era sua vida, sua vida era sua casa. Sua casa era seu limite. Seu limite estava ali, na tv, no controle. Ele era o limite de si mesmo. Saboreava com dissabor a vida que lhe brilhava na tela. E a confusão estava feita em sua pesada cabeça. Foi quando, assustado, saltou engolindo a saliva. Foi a primeira vez que fizera duas coisas ao mesmo tempo e ainda, sem pensar. A personagem da tv havia deixado de contracenar e agora trocava palavras com ele. Palavras de saber que ele correspondia e sentia-se orgulhoso, astuto, obstinado, até viril se achava, por haver no mundo, alguém que lhe prostrasse a sua frente e sorrisse junto dele; para ele e pela primeira vez, com ele. E ela, a cabeça, começara a rir, rir, simplesmente, rir daquela cena ignorante, e sua insignificância se desfez. Seus braços já não podiam sentir o peso de sua cabeça. A consciência voltara para aquela caixinha cinzentinha com gavetinhas; ele deixara aquela sala; agora seu mundo estava pintado na tela: da tv. Ele voltara a ser criança. A moça na tela da tv era uma fada. A fada vento. E lhe entregara uma espada. A espada mente.

Alexandre Pedro

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

É duro ser cabra na Etiópia - Autor: Silvana Rocha

É duro ser cabra na Etiópia - Silvana Rocha


Em meio ao nada

Pele seca, desidratada

Castigada

Cicatrizes pelo corpo

Dor, desilusão

Estômago vazio

Na boca só sinto o amargor...

Amargura dessa vida dura!

Sinto o tilintar das costelas

Ambulante carcaça velha!

Articulações rangendo

Sons que me acompanham

Nessa longa aventura.

Com esperança

Ainda caminho, mesmo que lentamente,

Sentindo o desconforto da terra árida.

Secura!

Pobreza pura...

O sol em brasa queima minha face...

Me deixa anestesiada...

Em estado de torpor.

Vejo minha sombra distorcida na terra seca

Pareço-me com o quê?

Não consigo raciocinar direito

Sinto um vazio no peito

Acidez!

Queimação sem fim

E parece que não tem jeito...

O jeito é caminhar...

E quem sabe nada encontrar.

Creio que há esperança

Um oásis talvez

Logo ali ou bem distante dali

Perdi a noção de espaço

De profundidade

Não enxergo direito

Mas o sol continua a arder na minha face.

O oásis? Claro, era miragem!

Continuo a jornada árdua

Tropeçando em pedras, pedregulhos, seixos

Galhos secos ferem meus pés calejados.

Um pássaro bem ali, no chão, morto...

Esturricado pela ação da natureza.

Frieza...

Continuo meu tormento indiferente.

Mas minha esperança de encher meu estômago

Queima tal qual o sol

Não desisto...

Já andei algumas milhas

Quero molhar minha boca

Cadê meu pingo d’água?

Água! Maravilha!

Uma zonzeira agora me abateu,

Tontura, vertigem,

Um mal súbito qualquer que me derrubará

Talvez a alguns metros daqui.

Acolá! Não sei...

Não sinto mais o sol.

Cabeça zonza, zumbido, zoeira

Moscas varejeiras ao redor.

Minha pele cada vez mais seca.

Diante de meus olhos cansados que já não enxergam direito

Devido à rude caminhada

Vejo com dificuldade mais uma carcaça de animal diante de mim.

Não...desta vez é uma criança.

Não me lembro mais de nada....


Silvana Rocha

Este texto foi elaborado para participar em uma seleção de autores diversos para o livro "É duro ser cabra na Etiópia" que será lançado por Maitê Proença, e, gentilmente cedido pela autora ( minha professora de Língua Inglesa do curso de Letras ) - Silvana Rocha

* Este texto tem seus direitos autorais; não podendo ser utilizado sem permissão do autor.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Instantes

O que será dos meus sonhos amanhã?

Terei, eu, acordado e frustrado todos eles?

ou, eles me terão frustrado?

a ambiguidade de ser e estar me permanece em ligação aos instantes e,

me levam de volta ao Verbo.

então, eu, Carne, me declinarei ao tempo que invade os dias meus.

Rendido, me ponho a sonhar.

Ah, os instantes!


Alexandre Pedro
11/09/2011




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Para alguém aí. Lá do outro lado de cá.

Para G.M

...tanto de mim fora de mim,

num outro que não sou eu,

e, que tanto tenho de si em mim,

que dispersam todos meus EUS.

cravado, gravado, grafado

eu assim engasgado,

assim suave,

gaguejado e inexorável

no inexplicável

das minhas razões sem razões.

Como uma linha determinada a preencher um vazio

que envolve nossos corações e os transbordam num só Ser,

o Amor.

Alexandre Pedro

SP – 08/01/2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vivendo um poema
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tempo


Na transparência da tarde neutra me contemplo...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um falso brilhante

Estou na Oscar Freire. No almoço mataram dois na televisão.
O cara era modelo.
Na tv ele desfilava enquanto o repórter anunciava sua morte.
.......
Gosto da Oscar Freire. É um lugar que me faz brilhar.
Costumo sair do trabalho ao cair da noite, e, conforme vou andando pela avenida as luzes nos portões dos prédio vão se acendendo. Uma a uma.
Um falso valor me brota no estomago. Devolvo um falso sorriso.
É engraçado esse mundo de fábula em que me vejo ao andar por esta avenida. As pessoas se contrastam. Tudo se contrasta. Eu e os prédios. Eu e a avenida.
As vitrines refletem o sonho exposto em meus olhos.
Meu estomago dialoga com meu bolso.
Vazio

Alexandre Pedro
30-08-2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do elo

Algumas vezes ela tenta vir. Vem vindo, vem vindo...

Nem sempre me toca.

Um dia, acredito, ela me toma por todo. E eu, vencido, me acalentarei no seu confortável marasmo.

Minuciosamente me fala aos ouvidos. Palavras de um eu que não é meu.

Ela fita-me os olhos, profundamente me venda. E eu, às cegas, tateio um quase suave sonho.

Acordo, e me busco. Me encontro mas, me ofusco no silêncio envolvente que...que me encrespa às paredes. Do quarto. Do meu estômago.

Uma quase maravilha me arrebata de um quase acordar, e volto a dormir. Então sonho.

Sonho de criança perdida chutando pedrinhas sem perceber estar perdida. Sem ao menos imaginar que outros a procuram.

Nuvens são como algodão doces. E, como!

Como por encanto.


Alexandre Pedro

23/08/2011



domingo, 21 de agosto de 2011

É duro ser cabra na Etiópia

Difícil é ser cabra na Etiópia.

É fácil ter a pele seca encostada poeticamente nas paredes das costas, comprimindo o parco estômago, oco.

Difícil é estar na pele da cabra ambiguamente comparada.

A pele turva, áspera tal qual o chão de rachuras do sertão que lasca tiras de sede.

A pele tensa em sua frouxidão ressequida. O âmago no olhar do abutre que circunda a quase vida ou, o que lhe fora e, agora só lhe resta a quase morte.

A única chama está no ventre; nem aos olhos lhe prostra o brilho, pois neles, refletem as sombras das asas do enigmático corvo.

Quantas vidas tem uma alma. Onde estão seus limites?

Um vulto se aproxima...da vida? ...da morte?

É duro ser cabra na Etiópia!


Alexandre Pedro

18/08/2011

Texto elaborado para participar de um seleção num projeto de livro da Maitê Proênça - É duro ser cabra na Etiópia - à convite do Professor Adilson Oliveira.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


Entre tantos
Entre verdades, mentiras, golpes, massacres, tiranias
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
*imagem: Operários - Tarsila do Amaral

quinta-feira, 4 de agosto de 2011


Fotografia...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Engolindo sapos


acordei com a sensação de haver um sapo em minha cama. senti-lo mexendo em minhas pernas. era uma sensação estranha, mas estranha porque gostosa. um misto de medo, prazer, um pouquinho de pavor e muito calor. no começo tive certa repugnância mas bastou seu coaxar pra me curvar numa postura de adoração e súplica, completamente seduzido por aquele ser mole, aquele monte de qualquer coisa mole. a languidez da criatura me dilatava os poros, molhando de suor os lençóis da cama. sua respiração ofegante misturava-se a minha, resfolegava-mo-nos. esfregava afoito uma perna na outra na tentativa de um movimento seu. ele parecia só um corpo, morto. queria eu sentir seu pulsar, seu peito inflando pesado em minhas coxas. ele permanecia imóvel.
eu ansiava, eu precisava que ele se movesse. eu o queria em outra parte do meu corpo. e acordei, num salto.

Alexandre Pedro
01/08/2011

domingo, 31 de julho de 2011

Passos


Passo depressa pelas ruas desta cidade.

Às pressas passo, passo a passo, passo.

Ao meu lado os passos apressados

Atropelam-se e me atropelam.

Aonde vamos?

Nesta cidade tem espaço para cada passo,

Espaço aos fracos e aos fortes.

Aos ricos e aos pobres,

Aos decentes e aos devassos.

E seguimos no compasso dos passos apressados...

Alexandre Pedro

SP-09.2010

terça-feira, 19 de julho de 2011


Eu,

Diluir a tinta no corpo frio,

pálido,

virgem

e transformá-lo em poesia.

Esta poesia que não se pode amassar e jogar fora.

Esta folha de papel que será diluída pelos vermes

quando meu corpo não mais aprisionar o eu lírico.


Alexandre Pedro


sábado, 16 de julho de 2011


Astros

Era um amor impossível.

Aos desencontros.

Os astros não permitiam.

Entre eles havia Ela e seus anéis,

Sensual, encantadora.

O azul atraía o amarelo que traía a prata que atraía o amarelo.

Era um trair, atrair, que retraíam-se atrás do escuro universo.

A solidão era tamanha.

Então, do Céu caíra uma estrela,

Rasgando em sua face enorme cicatriz.

E a Lua, atordoada,

sorrira ao ver seu Amado ardendo nos braços da Outra.

E então, não veio a noite...

...e a Lua chorou ao ver a chama do amor inflamando a Terra.


Alexandre Pedro


Imagem: "Namoro com a Lua" de Ismael Nery

segunda-feira, 11 de julho de 2011



Inspiração II
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
Literalmente, a conversa muda!

Alexandre Pedro
07/07/2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Transeunte


Transeunte

Para G.M


Vou, na sensação de deixar parte de mim,

Mas, se essa parte que em mim, sente, é a parte que deixei,

Como posso ter tal sensação, na parte que de mim partiu?

Diria Drummond: “A ausência é um estar em mim”.

E, dou me pela falta da ausência, que já não mais está em mim.

Eu não mais estou em mim.

Estou aqui, contigo!

Sou as palavras que nesse momento te prende.

Sou esse arrepio que sentiu.

Este olhar para os lados.

Estas palavras que, tão desgastadas pelo tempo, teimam ficar para contar minha perda.

E quem sabe te dar a resposta, se vivi a falta ou a própria ausência.

Eis a dúvida que minha presente vida, não respondeu.


Alexandre Pedro



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tatuagem



Tatuagem
Para G.M
Rabisquei teu nome no canhoto dos meus braços,
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santa Ceia



Santa Ceia

Apreciavam no prato o pedaço da morte.

Degustavam a alma sangrenta ausente no corpo.

Lambiam os lábios molhados de sangue.

Cheiravam o frescor da carniça.

Doze abutres famintos

para o dom de um Bastardo, pousavam.

Mantos vermelhos revelavam a traição, o pecado.

O sangue de lama negra das nações dos alienados,

escorria do vaso sagrado posto à mesa,

em formato vaginal.

In memoriam de Maria,

em alma

ausente.


Alexandre Pedro


revelar-se


...desvelar um segredo...
revelar - se.

Alexandre Pedro

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Carta

Ilustração: João Grando

A carta

Tinha de ser uma carta de amor,

Mandara a ela num misto de saudade e dor,


Em seu interior a descoberta do amor arrependido e desejoso.


Quisera voltar atrás, pois, havia fugido da felicidade a dois.

Mas, a essência selada no envelope perdera-se no caminho...


Abatida pela solidão de um amor incompatível,

E, entregue ao sofrimento da desilusão,

Buscava respostas, refletia momentos,

Sorria de tristeza e chorava de alegrias.


Inconformada não encontrava razão, nem prazer.


Noutro lugar ele chorava,

Suas lágrimas eram de descoberta e almejavam perdão.


Aqui, lamentava ela a ausência do amado.


- Soluçavam...


Resolvera ele escrever a carta que acompanhava flores

e um belo cartão romântico anunciando sua volta.


Recebera ela um telefonema.


Do outro lado, uma voz suave engasgada na terceira pessoa

perguntava por Lia.

?


O cão dócil levanta as orelhas em atenção.

Um zumbido na janela anuncia os primeiros pingos de chuva.

A cortina esvoaçava.

A TV, em silêncio, anuncia um acidente na Rodovia.

Do outro lado as palavras pulsantes cravadas como um punhal, frias.


Um sussurro engasgado...

Um chão que se perde...

...Um nada.

Uma dor.

Um vazio.

...

- Vago!

- Eu Vago pela casa.

Tranco a janela,

Desligo a TV,

Apago as luzes,

Soa a campainha,

Não atendo,

Sou só e vago.

A campainha insiste,

Atendo,

Uma carta,

Um buquê,

Um cartão.


- Mas, tinha de ser uma carta de amor,

- Era a DOR.


Alexandre Pedro

SP – 25/11/2010


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conceitos da Literatura

[...]"A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites."[...]

Mário Vargas Llosa