Seja bem vindo!!!
-Entre,
-Tire os sapatos,
-Sente-se e fique à vontade.
-vou pôr uma música.
-Aceita um café?
- Gosta de livros?
- escolha um e vá folheando,
-volto já, com o café.
Alexandre Pedro
e-mail: alexandre.eells@gmail.com

Pesquisar no Cárcere do Ser

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um falso brilhante

Estou na Oscar Freire. No almoço mataram dois na televisão.
O cara era modelo.
Na tv ele desfilava enquanto o repórter anunciava sua morte.
.......
Gosto da Oscar Freire. É um lugar que me faz brilhar.
Costumo sair do trabalho ao cair da noite, e, conforme vou andando pela avenida as luzes nos portões dos prédio vão se acendendo. Uma a uma.
Um falso valor me brota no estomago. Devolvo um falso sorriso.
É engraçado esse mundo de fábula em que me vejo ao andar por esta avenida. As pessoas se contrastam. Tudo se contrasta. Eu e os prédios. Eu e a avenida.
As vitrines refletem o sonho exposto em meus olhos.
Meu estomago dialoga com meu bolso.
Vazio

Alexandre Pedro
30-08-2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do elo

Algumas vezes ela tenta vir. Vem vindo, vem vindo...

Nem sempre me toca.

Um dia, acredito, ela me toma por todo. E eu, vencido, me acalentarei no seu confortável marasmo.

Minuciosamente me fala aos ouvidos. Palavras de um eu que não é meu.

Ela fita-me os olhos, profundamente me venda. E eu, às cegas, tateio um quase suave sonho.

Acordo, e me busco. Me encontro mas, me ofusco no silêncio envolvente que...que me encrespa às paredes. Do quarto. Do meu estômago.

Uma quase maravilha me arrebata de um quase acordar, e volto a dormir. Então sonho.

Sonho de criança perdida chutando pedrinhas sem perceber estar perdida. Sem ao menos imaginar que outros a procuram.

Nuvens são como algodão doces. E, como!

Como por encanto.


Alexandre Pedro

23/08/2011



domingo, 21 de agosto de 2011

É duro ser cabra na Etiópia

Difícil é ser cabra na Etiópia.

É fácil ter a pele seca encostada poeticamente nas paredes das costas, comprimindo o parco estômago, oco.

Difícil é estar na pele da cabra ambiguamente comparada.

A pele turva, áspera tal qual o chão de rachuras do sertão que lasca tiras de sede.

A pele tensa em sua frouxidão ressequida. O âmago no olhar do abutre que circunda a quase vida ou, o que lhe fora e, agora só lhe resta a quase morte.

A única chama está no ventre; nem aos olhos lhe prostra o brilho, pois neles, refletem as sombras das asas do enigmático corvo.

Quantas vidas tem uma alma. Onde estão seus limites?

Um vulto se aproxima...da vida? ...da morte?

É duro ser cabra na Etiópia!


Alexandre Pedro

18/08/2011

Texto elaborado para participar de um seleção num projeto de livro da Maitê Proênça - É duro ser cabra na Etiópia - à convite do Professor Adilson Oliveira.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


Entre tantos
Entre verdades, mentiras, golpes, massacres, tiranias
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
*imagem: Operários - Tarsila do Amaral

quinta-feira, 4 de agosto de 2011


Fotografia...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Engolindo sapos


acordei com a sensação de haver um sapo em minha cama. senti-lo mexendo em minhas pernas. era uma sensação estranha, mas estranha porque gostosa. um misto de medo, prazer, um pouquinho de pavor e muito calor. no começo tive certa repugnância mas bastou seu coaxar pra me curvar numa postura de adoração e súplica, completamente seduzido por aquele ser mole, aquele monte de qualquer coisa mole. a languidez da criatura me dilatava os poros, molhando de suor os lençóis da cama. sua respiração ofegante misturava-se a minha, resfolegava-mo-nos. esfregava afoito uma perna na outra na tentativa de um movimento seu. ele parecia só um corpo, morto. queria eu sentir seu pulsar, seu peito inflando pesado em minhas coxas. ele permanecia imóvel.
eu ansiava, eu precisava que ele se movesse. eu o queria em outra parte do meu corpo. e acordei, num salto.

Alexandre Pedro
01/08/2011

domingo, 31 de julho de 2011

Passos


Passo depressa pelas ruas desta cidade.

Às pressas passo, passo a passo, passo.

Ao meu lado os passos apressados

Atropelam-se e me atropelam.

Aonde vamos?

Nesta cidade tem espaço para cada passo,

Espaço aos fracos e aos fortes.

Aos ricos e aos pobres,

Aos decentes e aos devassos.

E seguimos no compasso dos passos apressados...

Alexandre Pedro

SP-09.2010

terça-feira, 19 de julho de 2011


Eu,

Diluir a tinta no corpo frio,

pálido,

virgem

e transformá-lo em poesia.

Esta poesia que não se pode amassar e jogar fora.

Esta folha de papel que será diluída pelos vermes

quando meu corpo não mais aprisionar o eu lírico.


Alexandre Pedro


sábado, 16 de julho de 2011


Astros

Era um amor impossível.

Aos desencontros.

Os astros não permitiam.

Entre eles havia Ela e seus anéis,

Sensual, encantadora.

O azul atraía o amarelo que traía a prata que atraía o amarelo.

Era um trair, atrair, que retraíam-se atrás do escuro universo.

A solidão era tamanha.

Então, do Céu caíra uma estrela,

Rasgando em sua face enorme cicatriz.

E a Lua, atordoada,

sorrira ao ver seu Amado ardendo nos braços da Outra.

E então, não veio a noite...

...e a Lua chorou ao ver a chama do amor inflamando a Terra.


Alexandre Pedro


Imagem: "Namoro com a Lua" de Ismael Nery

segunda-feira, 11 de julho de 2011



Inspiração II
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
Literalmente, a conversa muda!

Alexandre Pedro
07/07/2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Transeunte


Transeunte

Para G.M


Vou, na sensação de deixar parte de mim,

Mas, se essa parte que em mim, sente, é a parte que deixei,

Como posso ter tal sensação, na parte que de mim partiu?

Diria Drummond: “A ausência é um estar em mim”.

E, dou me pela falta da ausência, que já não mais está em mim.

Eu não mais estou em mim.

Estou aqui, contigo!

Sou as palavras que nesse momento te prende.

Sou esse arrepio que sentiu.

Este olhar para os lados.

Estas palavras que, tão desgastadas pelo tempo, teimam ficar para contar minha perda.

E quem sabe te dar a resposta, se vivi a falta ou a própria ausência.

Eis a dúvida que minha presente vida, não respondeu.


Alexandre Pedro



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tatuagem



Tatuagem
Para G.M
Rabisquei teu nome no canhoto dos meus braços,
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santa Ceia



Santa Ceia

Apreciavam no prato o pedaço da morte.

Degustavam a alma sangrenta ausente no corpo.

Lambiam os lábios molhados de sangue.

Cheiravam o frescor da carniça.

Doze abutres famintos

para o dom de um Bastardo, pousavam.

Mantos vermelhos revelavam a traição, o pecado.

O sangue de lama negra das nações dos alienados,

escorria do vaso sagrado posto à mesa,

em formato vaginal.

In memoriam de Maria,

em alma

ausente.


Alexandre Pedro


revelar-se


...desvelar um segredo...
revelar - se.

Alexandre Pedro

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Carta

Ilustração: João Grando

A carta

Tinha de ser uma carta de amor,

Mandara a ela num misto de saudade e dor,


Em seu interior a descoberta do amor arrependido e desejoso.


Quisera voltar atrás, pois, havia fugido da felicidade a dois.

Mas, a essência selada no envelope perdera-se no caminho...


Abatida pela solidão de um amor incompatível,

E, entregue ao sofrimento da desilusão,

Buscava respostas, refletia momentos,

Sorria de tristeza e chorava de alegrias.


Inconformada não encontrava razão, nem prazer.


Noutro lugar ele chorava,

Suas lágrimas eram de descoberta e almejavam perdão.


Aqui, lamentava ela a ausência do amado.


- Soluçavam...


Resolvera ele escrever a carta que acompanhava flores

e um belo cartão romântico anunciando sua volta.


Recebera ela um telefonema.


Do outro lado, uma voz suave engasgada na terceira pessoa

perguntava por Lia.

?


O cão dócil levanta as orelhas em atenção.

Um zumbido na janela anuncia os primeiros pingos de chuva.

A cortina esvoaçava.

A TV, em silêncio, anuncia um acidente na Rodovia.

Do outro lado as palavras pulsantes cravadas como um punhal, frias.


Um sussurro engasgado...

Um chão que se perde...

...Um nada.

Uma dor.

Um vazio.

...

- Vago!

- Eu Vago pela casa.

Tranco a janela,

Desligo a TV,

Apago as luzes,

Soa a campainha,

Não atendo,

Sou só e vago.

A campainha insiste,

Atendo,

Uma carta,

Um buquê,

Um cartão.


- Mas, tinha de ser uma carta de amor,

- Era a DOR.


Alexandre Pedro

SP – 25/11/2010


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conceitos da Literatura

[...]"A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites."[...]

Mário Vargas Llosa

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Trate-me como páginas de um livro!



Trate-me como páginas de um livro
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
*Fotografia: Rodrigo Nogueira

O gigolô das palavras - Texto de Luís Fernando Veríssimo

O gigolô das palavras (Luis Fernando Veríssimo)

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

domingo, 12 de junho de 2011

Velhice




Velhice

...já posso sentir a lâmina de vento em minha face,

ardendo fria,

queimando-me os poros,

a alma;

lambendo o resquício de verão que havia,

e trazendo o inverno,

ainda quente,

que nasce por detrás dos montes gélidos.

É a nova estação desembarcando.

-Parada aos 34


Alexandre Pedro


Imagem: Sapato de Alexander McQueen

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.

http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842



quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

A menor mulher do Mundo - Sob outras visões


"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em 'entender'.
Viver ultrapassa todo sentimento".
Clarice Lispector


Fragmento pós leitura do conto "A menor mulher do mundo", de Clarice Lispector.

A menor mulher do mundo
mulher para ser vista de cima, aos teus pés
não admirada...
mas devorada
mulher das profundezas
comparada a um bicho,
uma escrava,
um brinquedo,
uma isca.
motivo de risos,
zombarias
em seu sorrir a incompreensão de não compreender-se,
ou ser compreendida.
em seu ventre o representar da Natureza Humana,
e o terror de ser representada por algo de 45 centímetros;
estampada nas páginas dos jornais;
toda ameaçadora e, pequena.
Calada.
aquela racinha de gente, sempre a recuar e a recuar.
ah, tão Pequena Flor! tão digna de ternura!
mas ela amava, amava por não saber amar, amava o seu modo de amar, tão desgraçadamente amava.
e porque amava, não sabia o quê amar.
Não se lamentará que, para tão curta vida, longo tenha sido o trabalho. Quem já não desejou um sentimento só para si?
Pois olhe, declarou logo uma velha fechando o jornal com decisão - pois olhe, eu só lhe digo uma coisa: Deus sabe o que faz.

Alexandre Pedro

* As frases em itálico foram extraídas do conto em referência - A menor mulher do Mundo - de Clarice Lispector.

O conto "A menor mulher do Mundo" foi publicado na primeira edição de Laços de Família - Clarice Lispector.
Editora Francisco Alves, 1960.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Coletivo


Ele chega, abre a porta.
Todos se acotovelam para garantir um espaço.
Um tosse, o outro bufa feito cavalo,
Um esfrega o nariz porque está úmido,
Um fala ao celular,
Outro joga mini-game.
Duas conversam sobre a novela das oito.
Outras falam da filha do vizinho.
- Eita fogo!
Outros falam da eleição que acontecera ontem,
e nada vai acontecer.
Outros se entreolham com vontades,
Outros reclamam do atraso,
Até o maquinista reclama:
-Este trem não parte com as portas abertas!!!
Uns confundem com dark room e se roçam.
Uns com má intenção,
Outros sob a influência do mal.
Um abre a janela,
O outro fecha.
Um tenta ler um livro,
Em vão, as conversas vencem.
Um ouve seu ipod com o fone ao máximo volume,
Temos aí um futuro surdo.
Outro ouve seu ipod sem o fone e ao máximo volume,
Temos aí um presente retardado.
E eu, que só entrei neste trem
Para maquiavelizar a vida de outrem,
Me despeço, pois desço na próxima estação, Barra Funda.
Antes que alguém resolva me roçar a bunda.


Alexandre Pedro

segunda-feira, 30 de maio de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

Aliterar-se

rasgar o verbo rasgado
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sarau Unip Vergueiro - Alexandre Pedro - A Partida

Sarau que aconteceu na Universidade Paulista - Unip - Vergueiro, 2011.

Evento muito bem organizado pelos coordenadores, professores e alunos do curso de Letras do Campus Vergueiro - São Paulo.
Uma forma de valorizar o conhecimento, a criação, o companheirismo, e a valorização do que estudamos. Do muito que lemos, do muito que nos é apresentado. E então, tivemos a chance de devolver aos nossos mestres, amigos, e a nos mesmos através da alegria com nossas poesias, nossas músicas, nossas vontades, nossos sonhos. Fazendo-nos(alunos-professores)acreditar que, o que estamos desenvolvendo juntos não está sendo em vão.
Somos uma geração sonhadora, temos ideais, temos fome do novo, deglutimos o velho, "ruminanos" o que nos é importante, e exalamos poesia...poesia da música, da imagem, da palavra, do conhecimento, da coragem...
Quero, com esta postagem, agradecer aos organizadores, em particular a aluna de Letras - Alessandra S. Cantero pelo companheirismo, pela dedicação e, pela recepção ao nosso grupo que estava representando o Campus de Alphaville.
O Sarau intitulado Fantasmagórico Universo foi um sucesso!!!
Algumas apresentações foram gravadas, e estão disponiveis no link abaixo.
Estou ansioso pelos próximos eventos desta galerinha tão entusiasmada e, tão capacitada. Nossos novos escritores, poetas, artistas...
Abraços, e mais uma vez, agradecido pelo convite à participação!
Alexandre Pedro

Link de alguns vídeos das apresentações do Sarau - Fantasmagórico Universo
http://www.youtube.com/user/Biricuticus?feature=mhee#p/a/u/1/5Uo77pZ4XiI

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Há Palavras


Há Palavras

Das palavras a que mais gosto é a palavra.
A palavra dentro e fora do dicionário,
A palavra isolada em seu vocabulário,
A palavra em seu radical e léxico,
A palavra Divina,
A palavra mal dita,
A palavra vulgar e obscena.

São só palavras.
Palavras e palavras.

Palavras de carinho,
Palavras de ódio,
Palavras gritadas em vitória.

São só palavras.
Palavras e palavras.

Há palavras sem palavras e
sem palavras não há palavras,
Mas há de haver uma palavra
que silencie as demais palavras
e faça valer o silêncio de uma só palavra.
A verdadeira palavra PALAVRA.

A palavra instrumento do poeta,
Que pensa dominá-la.
Palavras que em mim habitam,
E em minha boca se calam.

Se encontrardes a palavra
que silencie as demais palavras,
Entregue a mim, mas o faça em silêncio.
E o protegerei de toda ira das palavras.
Dou-te minha PALAVRA.

Alexandre Pedro
SP - 26.09.2010


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sábado, 21 de maio de 2011

Fugindo à Poesia



Fugindo à Poesia:

...Eu vou tirar você de letra......*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
SP – 02/04/2011

Fotografia: Rodrigo Nogueira

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.

sábado, 14 de maio de 2011

S.M




S.M
Para Clarice Lispector

O limite era a dor.

Suas roupas espalhadas pela casa.
As chamas das velas prenuciavam a chama do corpo.
Derretiam-se.

Seus corpos suavam lânguidos em palpitações.
Suas peles ardiam de prazer,
Suas carnes tremiam.

Seus músculos enrijecidos pelo gozo.
Seu grito de dor fundia-se ao prazer.
A dor lhe caía num torpor agradável.

Gemiam com sofreguidão um prazer dolorido.
A dor estava no entreabrir das janelas,
Nos poros,
No trepidar dos olhos
exaustos e pedintes.
No cerrar dos pulsos
que apertam os lençóis.
Nas alianças de aço,
Nas correntes de ar metálico,
Nos lábios ainda molhados pela saliva do outro.
No estirar dos dedos já não mais tensos.
No sangue que escorre pela boca.
No grito abafado pelo silêncio do quarto de hotel barato.
Na máscara caída ao chão.
A dor era o limite do Eu, - doeu!
Não mais palpitações.
Nos lábios um esboço de sorriso e satisfação.
A dor era um limite já ultrapassado.
Além.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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domingo, 8 de maio de 2011

Em busca da luz


Em busca da luz

Minha voz ecoa no silêncio mórbido da noite escura.
Trevas amordaçam minha boca,
Como num áspero sonho sórdido,
Restos de seu sangue em minha roupa.

Corro por desconhecidas ruas,
Olhares me espreitam, me fuzilam.
A procura de saída, me trancam.
Roupas rasgadas, semi-nua.

Presa em vestes límpidas
e embebedadas em silêncio
Meu alívio são morfinas.

Em bosques silenciosos como se chegasse ao céu
encontro-me num torpor em fel.
Regrada pelo tempo e balas,
azuis, verdes, brancas, nenhuma de mel.

Animais em jaulas, cabelos raspados, veias feridas,
contrastam com a pureza prometida.

Em náuseas...
Uma mãe que não é mãe, uma filha...
Um vermelho que não escorre,
Um meu pertencer que não me sai.
Uma vida a gerar em mim.
Uma semente carregada por um pássaro do mal,
não plantada e sim, uma sentença fecundada.
Fruto de uma maldade que se eterniza em minha mente,
e, em meu corpo.

Náuseas explodem abruptamente em águas.
Uma dor.
Uma flor que nasce,
Uma estrela que brilha,
Uma nuvem que destapa o sol,
Uma vida.
Um choro,
Um sorriso,
Um afago,
Uma direção...
...uma memória cicatrizada, e para sempre lembrada no sorriso de uma criança.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Banho de Sol


Banho de sol

A natureza fala comigo.
Invade-me pelos poros do corpo
Largado, solto na madeira rústica
que emana cheiros de pinho.
Exausto.
O sol que me arde, frio
Percorre-me a espinha
Transborda-me e me deixa vazio,
Rijo, intenso.
Em convulsão,
Depois fraco,
sonolento,
completo e,
cheio de vitalidade.


Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

DeScOnStRuÇãO


SENSACIONALISMO?
ENGANA-SE, É PRA NÃO ESQUECER MESMO!!!!!
ESSE OLHAR RASGADO CARREGA A NOSSA CULPA.

Desconstrução

Homem,
Pássaros, Flores,
Cárceres, Horrores,
Praias, Nuvens,
Esgotos, Ferrugens,
Bosques, Parques,
Torres, Famílias,
Postes, Cachorros, Latrinas,
Chuvas...

Alexandre Pedro


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sábado, 23 de abril de 2011

O Poeta e o Poema


O Poeta e o Poema

Quem expressa?
O poeta ou o poema?
O poeta expressa a palavra,
ou a palavra expressa o poeta?
O poeta sem palavras não se expressa.
A poesia tem pressa,
O tempo passa depressa,
As palavras o desprezam.

Rima, Ritmo e Métrica.

Qual sua melodia?
Qual sua dança?
Quais suas medidas?
Onde se escondem?
Voltem depressa e façam do poeta um personagem
que o engane e o manipule,
e o faça menino, um mamute.
Transborde-o.
Que só assim, um adulto sob pressão,
pode escrever algo que preste.

Alexandre Pedro


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

domingo, 17 de abril de 2011

Lamento


Lamento

Para G.M

Eu lamento teu lamento.
Sonho em nuvens tranquilas...
Eu assolo, desolo, isolo, dessoro, dissolvo...
Sonho com diálogos travados,
Discutimos poesia,
Sonho ser um verso do teu poema não escrito,
Quero ser uma página do teu livro.
Eu sonho a verdade irreal dos teus sonhos.
Literalmente sonho.
Eu escrevo o passado contando o futuro,
Tento te prender dentro de aspas,
mas você foge, e nos perdemos nelas.
Eu acordo mudo,
surdo,
sozinho,
E com sono.



***...um dia você vai ler em meus escritos as letras molhadas das suas iniciais.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Partida


A partida
...*Esta publicação foi removida devido ao texto estar sendo integrado ao livro de estreia do autor, intitulado Flores do Ócio, e que será lançado em breve pela Giostri Editora. Mais informações: alexandre.eells@gmail.com
Agradeço muito a visita e o carinho dedicado.
Alexandre Pedro
Alexandre Pedro



***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

domingo, 10 de abril de 2011

Contos de Clarice Lispector Interpretados por Aracy Balabanian


Em minhas perambuladas descobri este material: Contos de Clarice Lispector interpretados por Aracy Balabanian.
De cara, fiquei curioso, pois admiro ambas. Mas ao ouvir, me apaixonei. É como um mergulho, assim como exigem as obras de Clarice, do leitor; um mergulho num mundo encantado, de nuvens mágicas, em caminhos que nos levam ao extase, devido a tão extraordinária sensibilidade.
Aracy interpreta Clarice com toda propriedade, e segurança. Mergulhando, sem medo e desejando se afogar no mundo de Clarice.
Particularmente, vejo uma Clarice na voz de Aracy. É como se houvesse, ainda no presente, a honra de ouvir a própria Clarice nos contando seu mais belos contos.
A entonação, a propriedade e segurança, o timbre de voz, a respiração de Aracy me causaram arrepios deliciosos ao ouvir Clarice.
E, o resultado é simplesmente fantástico!
Total profissionalismo, dedicação, e respeito pela literatura, e, por Clarice que é, com certeza, uma das maiores e mais respeitadas representante da Literatura Universal.
Baixem o cd e confiram. Link totalmente seguro!
Abraço,
Alexandre Pedro

CD 1
Felicidade Clandestina
Tentação
Restos de Carnaval
Uma Galinha
O Grande Passeio
Perdoando Deus

CD 2
Uma Esperança
Ele me Bebeu
Uma História de Tanto Amor
A Procura de Uma Dignidade
Macacos
A Repartição dos Pães


Textos: Clarice Lispector
Interpretação: Aracy Balabanian
Produção: Paulinho Lima
Distribuição: Luz Cidade Produções Artísticas, Fotográficas e Editoriais.



http://www.4shared.com/file/m8PJPYnI/Clarice_Lispector_-_Contosmp3.html

sábado, 2 de abril de 2011

Fertilidade Interrompida


Fertilidade Interrompida

Teu corpo frágil partido em dois.
A fertilidade interrompida num estalar
Da brancura e da pureza que emoldurava o sol.
A vida que lateja claramente,
Geme ardente em suores que alimentam o ser.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

Fragmentos


Pinto as cores do mundo num plano inclinado
do pensamento angustiado do meu Consciente.
Solto as palavras ao vento e estas misturam-se
formando a música que ouço consciente;
Mas estou em silêncio!
Quebro o silêncio lendo uma poesia
e a letra da poesia é a música que toca no meu consciente.
Quero gritar,
mas só atinjo aos murmúrios e lamentos guturais dos meus pensamentos.
Lanço-me ao vento para ser conjugado e este me sopra em pó,
em poeiras distraídas pelo universo.
E uma velha vestida em um negrume esvoaçante vestido velho me varre, me varre, me varrrrrrr...

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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