
Das narinas nasceram ramagens que lhe percorriam o corpo frígido,
envolvendo-o completamente num casulo esverdeado e fétido.
Da boca vertiam vermes como se fossem alimentos, que dela se alimentavam.
Vermes talhavam seu belo rosto que beijado fora noutros dias tão brandos.
Nos olhos nenhuma vida,
Nenhuma luz.
Dos pulsos duas fendas verticais por onde expulsara-lhe a vida.
Nos ouvidos apenas o silêncio e o princípio de gemidos distantes a se aproximarem.
Em sua genitália nem mais a vivacidade da cordial jovialidade.
No peito um coração esvaído de toda vontade, angustiado e reduzido
entre o primeiro e o ultimo pulsar.
Na mão direita um bilhete interrompido por um adeus.
No chão um tapete de confetes colorindo e alegrando a cena.
Na esquerda, uma aliança pende da mão repousada nas paredes gélidas de uma banheira branca ensangüentada
e inundada de vida.
Alexandre Pedro
***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842
Caro Alexandre, adorei seu poema. Para mim é o melhor que li até agora dos seus. Impressionante como você conseguiu criar um universo terrível e belo ao mesmo tempo, imagens fortes e um ritmo violento. Fico feliz de poder compartilhar de seu universo. Um forte abraço e nos brinde com mais poesia durante a semana.
ResponderExcluirQue honra tê-lo aqui, amigo Professor!
ResponderExcluirObrigado a força, sempre.
Fizeste com que meus lábios expressassem um sorriso de satisfação.
Adorei sua presença.
Abração!
Gostei muito do seu blog, tô correndo para pegar a ponte aérea, mas volto logo para ver outras postagens e comentar.
ResponderExcluirAbraços
Opa, muito prazer!
ResponderExcluirQue bom que gostou; faça uma boa viagem,e quando voltar venha visitar o Cárcere, de novo..rs
Bom tê-lo por aqui,
Abraços
Já tinha amado o poema...agora, adorei a foto!
ResponderExcluirHoje pude ver seu blog com mais calma, e esse poema em especial me tocou profundamente, não só pela historia contada, mas em especial pela construção, pelaq forma que você trabalha as figuras de linguagem.
ResponderExcluirSimplesmente amei essa frase:
"ensangüentada
e inundada de vida"
Obrigado pela visita ao sabor da letra e pelo cometário, espero que volte outras vezes, eu voltarei muitas aqui.
Linkei seu blog entre meus favoritos.
Abraços
Jana, obrigado pela visita, carinho e pela força. Adoro ter vc por aqui.
ResponderExcluirBjão
Evandro, que fidelidade de amigo!
ResponderExcluirMuito bom que tenha voltado, e muito feliz me deixou com seu comentário.
É muito gratificante saber que não está sendo em vão e que estou conseguindo, de alguma forma, agradar pessoas tão inteligente e de maior admiração.
Obrigado pela força, e pela sua presença! Forte abraço,
Alexandre Pedro
Esse texto tem um jeitão de romance policial. Ele é repleto de detalhes de coisas nojentas e de coisas belas que partilham o mesmo espaço mas que não se misturam. O modo como segue a descrição até o desfecho não explicado de um amor tragicamente interrompido cria uma atmosfera de mistério total. Por que essa pessoa fez isso, ou, será que não foi ela, mas uma outra pessoa?...
ResponderExcluirMuito legal mesmo! Tem cara de conto e não de poesia. Gostei da ideia! ^^
Monge,
ResponderExcluirMuito bem apontado...será que outra pessoa o fez? será que fizeram?
Alguém nos dirá?
Fiquei intrigado!rs
Abraço,