
O Poeta e a Musa
Envolto em plumagens escuras,
me aqueço
e sou levado às ranhuras de um afresco.
Tempo e espaço nos separam.
Quereria eu, fosse irreal,
Mas teus olhos guardam em segredo,
a matéria fúnebre que me é real.
Repousa suave sobre meu corpo.
Pairo sobre teus cabelos mórbidos.
Querendo tocar teu corpo,
Devaneio-me em sonhos sórdidos.
Criados em semelhança,
Só lhe faltara o ar.
Do barro me vestiram,
Do gesso lhe despiram,
A vida me sopraram,
E a ti, só lhe faltara o ato.
Vela pelo meu sono,
Vago por entre os vales inóspitos,
Inebriado em teus olhos pálidos,
Sou arrancado desse mundo cálido.
Em vida desejei,
Na morte encontrei,
Num frio e eterno ósculo nos despimos,
Em almas diáfanas nos fundimos.
Escravo do teu corpo
modelado em gesso
satisfaço minha boca
afogado nos teus beijos.
Alma em gesso.
Alexandre Pedro
29.09.2010
***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842
Agora você me fez lembrar de quando eu lia Álvares de Azevedo. Um abraço!!!
ResponderExcluirLuigi, que honra!!!
ResponderExcluirUm dos meus escritores favoritos...
Valeu!
Abração
Isso me remete à uma declaração de amor e subserviência. Mas há apenas a voz do Poeta em evidência. Por que não dar voz também à Musa? Tudo bem, ele se declara de forma pura e dedicada àquela que é sua inspiração, e isso é deveras tocante, mas é insjusto deixar a Musa tão calada assim...
ResponderExcluirMais uma vez, PARABÉNS Alexandre!!
Meu caro,
ResponderExcluirConcordo com você, quem sabe um dia ela dirá... (???)
Mas por enquanto a voz é dada à alma do poeta por estar ele "morto". O poeta se apaixona pela escultura que está sobre seu jazigo quando sua alma está sendo recolhida de seu corpo material por um anjo de asas escuras.
E considero a Musa, assim, cálida. Uma vez que ela dirá algo não mais teremos uma Musa. A Musa em seu silêncio é pra sempre Musa. Em silêncio eu a mantenho, só minha. De mais ninguém.
Valeu mais uma vez...hehe
(vi que postou novamente o poema, agora com outro nome. Mais tarde, comentarei)
Abraço,
04:56h
Lindo poema...Lembrou um de meus poetas preferidos, George Gordon Byron.
ResponderExcluirCorringo a informação que realmente ficou dúbia, a música é de Caetano Veloso, apenas a frase de abertura é de Flaubert.
Abraços e bom domingo
Evandro, Obrigado por clarear minhas ideias, e que honra te fazer lembrar de Lord Byron. Adorei! rs
ResponderExcluirabraços
Você tinha razão , realmente gostei desse blog , estou impressionado com a sua versatilidade por conseguir escrever sobre assuntos e temas aparentemente tão distintos .
ResponderExcluirNão podia deixar de comtepla-lo com mais um selo para o blog carcere de um ser .
Gostei da foto que vc tirou e das frases de boa vindas.
www.jogandonaparede.blogspot.com
Obrigado, Alan!
ResponderExcluirFiquei feliz que acreditou e veio visitar o Cárcere. De verdade, valeu!!!
Agradeço também os selos..e a divulgação em seu Blog.
Abraço
Alexandre, amanhã, dia 11, aniversário de 1 ano do Mínimo Ajuste. Vai lá assoprar a velinha :)
ResponderExcluirbeijos
BF
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirde novo...
ResponderExcluirAMO esse poema e tenho q concordar com o 1º post, é romântico a la Azevedo!
Falta mesmo esse romantismo de adoecer nesse mundo moderno!